Acessar o conteúdo principal
Genocídio armênio

Turquia desafia França e insiste em negacionismo sobre genocídio armênio

Istambul, 24 de janeiro de 2012. Turcos se manifestam em frente ao Consulado da França para protestar contra a lei que pune o negacionismo do genocídio armênio.
Istambul, 24 de janeiro de 2012. Turcos se manifestam em frente ao Consulado da França para protestar contra a lei que pune o negacionismo do genocídio armênio. REUTERS/Osman Orsal

Há 104 anos, em 24 de abril de 1915, o governo otomano ordenou a captura de mais de 250 intelectuais armênios na capital do Império, Istambul. Foi o início de uma campanha de deportação que apagaria mais de 1 milhão de armênios do mapa da Anatólia. A França estabeleceu este ano um dia no calendário oficial para celebrar a data. Mas as autoridades turcas, que se recusam categoricamente a reconhecer episódio como um genocídio, receberam a iniciativa francesa com muita irritação, acusando Paris de ter dado um novo golpe na relação entre França e Turquia.

Publicidade

Anne Andlauer, correspondente da RFI em Istambul

O dia oficial que lembra a data nesta quarta-feira (24) deixou as autoridades turcas irritadas. Ancara acusa a França de "manipular a História" e lembrá-la de seu passado colonial, uma verdadeira ameaça à diplomacia entre os dois países.

Segundo Uluç Özülker, ex-embaixador da Turquia em Paris, Ancara nunca reconhecerá a existência do extermínio. "Aceitar o genocídio é algo importante. Basta olhar para a Alemanha: eles cometeram um genocídio e ainda vivem com o peso que carregam em suas costas".

"Houve mortes de armênios, mas nenhum genocídio. É uma questão da alçada dos historiadores, não dos políticos”. Esta é, em poucas palavras, a posição turca sobre o genocídio armênio. No fundo, ela nunca mudou. Apenas evoluiu um pouco depois da chegada ao poder de Recep Tayyip Erdogan. Em 2014, o atual presidente turco expressou oficialmente condolências aos descendentes dos armênios.

Um avanço tímido que não descarta reviravoltas políticas, disse Sinan Ülgen, diretor do Centro de Pesquisa de Estudos Econômicos e Diplomáticos em Istambul: "Há uma aliança com o partido nacionalista MHP, o que não era o caso em 2014-2015. Portanto, há mais pressão para reverter a posição sobre as desculpas da Turquia”, disse.

Isto também se aplicaria às relações diplomáticas entre a Turquia e a Armênia, atualmente inexistentes, uma vez que a fronteira entre os dois países permanece fechada. Segundo estimativas, cerca de 1,5 milhão de armênios morreram na atual Turquia, por decisão do governo otomano, durante a Primeira Guerra Mundial, entre 1915 e 1916. A Turquia nunca reconheceu o evento, onde dois terços dos armênios no país desaparecem. Mas a França reconhece o genocídio desde 2001.

A homenagem da França

Todos os anos, armênios em todo o mundo prestam homenagem às vítimas de 24 de abril de 1915. Pela primeira vez em 2019, a França faz dessas comemorações um dia nacional em seu calendário.

Em Paris, as celebrações começaram na noite desta terça-feira (23) com o reacender da chama do Soldado Desconhecido sob o Arco do Triunfo, na presença de muitos franco-armênios. Macron não estará, no entanto, na linha de frente para esta primeira comemoração, nesta quarta. O primeiro-ministro, Édouard Philippe, participará de uma cerimônia em Paris, em frente à estátua do padre Komitas, no oitavo distrito da capital francesa.

Newsletterselfpromo.newsletter.text

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.