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Para Putin, Trump demonstra claro interesse em restaurar as relações com a Rússia

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, durante encontro com o presidente russo, Vladimir Putin, em Sochi, na Rússia, em 14 de maio de 2019.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, durante encontro com o presidente russo, Vladimir Putin, em Sochi, na Rússia, em 14 de maio de 2019. Alexander Nemenov/Pool via REUTERS

O presidente russo, Vladimir Putin, declarou nesta terça-feira (14) ter percebido que o presidente americano, Donald Trump, quer restaurar as relações com a Rússia. O chefe de Estado russo se reuniu com o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, em Sochi, no leste do país. 

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"Tenho a impressão que seu presidente gostaria de restaurar as relações e os contatos russo-americanos, e que ele deseja resolver as questões de interesse comum", afirmou Putin. "Nós também gostaríamos de restabelecer plenamente nossas relações. Espero que condições necessárias para isso sejam criadas agora", reiterou.

O presidente russo também voltou a recusar a ideia de que a Rússia tenha interferido nas eleições presidenciais americanas de 2016. Um pouco antes, durante uma reunião com o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, Pompeo afirmou que os Estados Unidos não tolerará nenhuma ingerência na votação de 2020. "Nossas relações poderiam chegar a um nível pior do que estão hoje", reiterou. 

No entanto, o secretário de Estado americano afirmou à Lavrov que Trump está determinado a melhorar as tensas relações entre as duas potências. As questões de discórdia entre Washington e Moscou vão desde a crise na Venezuela até os tratados de desarmamento, aos quais se somam as tensões dos últimos dias em torno do Irã, aumentando o temor de uma escalada militar na região.

Relações glaciais entre Rússia e EUA

Pompeo é a maior autoridade americana a se encontrar com Putin desde a cúpula de julho em Helsinki, entre o presidente russo e Trump. A Casa Branca espera que o fim da investigação do procurador especial Robert Mueller sobre uma suposta interferência russa a favor do presidente americano nas eleições de 2016 permita superar o atual estado glacial das relações entre os países.

Há quase dois meses, o procurador apresentou o relatório que afirma que uma interferência russa aconteceu durante a campanha eleitoral, mas sem ligação entre a equipe do então candidato Trump e Moscou. A investigação marcou a primeira metade do mandato do republicano, que sempre alegou inocência.

Nas últimas semanas, a tensão também aumentou entre os dois países devido à crise na Venezuela, onde ambas as potências acusam entre si de interferência. A Rússia continua sendo uma aliada do presidente Nicolás Maduro, enquanto os Estados Unidos apóiam o líder da oposição Juan Guaidó.

No início do mês, o presidente americano afirmou que teve uma conversa telefônica "muito positiva", de mais de uma hora, com Putin. Segundo Trump, o presidente russo assegurou que Moscou não está envolvido na Venezuela. No entanto, o próprio Pompeo e outros funcionários da administração americana pediram diversas vezes à Rússia que deixe de apoiar o presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

Política de "máxima pressão"

A visita de Pompeo coincide com as acusações dos Estados Unidos de que o Irã prepara "ataques" contra seus interesses no Oriente Médio. Os Estados Unidos posicionaram um porta-aviões, um navio de guerra, bem como bombardeiros B-52 e uma bateria de mísseis Patriot na região.

A Rússia, como os países europeus, é a favor de manter o acordo de 2015 sobre o programa nuclear iraniano, do qual os Estados Unidos se retiraram. Já o Irã decidiu neste mês suspender parte dos compromissos desse acordo.

"Uma política de máxima pressão nunca dá resultados", alertou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, nesta terça-feira. "Isso não encoraja um país a ser conciliador", acrescentou.

Pompeo se encontrou na segunda-feira (13) com vários líderes europeus, que alertaram sobre o risco de um conflito "por acidente". O medo de uma escalada no Golfo aumentou após atos de sabotagem, dos quais os detalhes são desconhecidos, contra três petroleiros e um cargueiro neste final de semana na costa dos Emirados Árabes Unidos.

Desarmamento: outra desavença

O desarmamento é outro motivo de atrito. Recentemente, os Estados Unidos e a Rússia decidiram abandonar um tratado da época da Guerra Fria que proibia mísseis terra-terra de tamanho entre 500 e 5.500 quilômetros.

No entanto, a Rússia e os Estados Unidos estão negociando o próximo tratado de controle de armas nucleares Start. O atual termina em 2021 e Trump quer incluir a China.

O presidente russo, que constantemente elogia as novas capacidades de seu exército, visitará nesta terça-feira, antes de receber Pompeo, o maior centro de testes nucleares da aviação russa. Segundo o Kremlin, Putin participará de uma demonstração de "armas promissoras".

(Com informações da AFP)

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