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Rússia diz que "reagirá positivamente" a pedido de encontro entre Putin e Trump

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, e o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, nesta terça-feira, em Sotchi, na Rússia.
O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, e o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, nesta terça-feira, em Sotchi, na Rússia. Pavel Golovkin/Pool via REUTERS

O presidente russo, Vladimir Putin, deve aceitar o pedido de encontro da parte do presidente americano, Donald Trump. A confirmação foi feita pelo chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, em coletiva de imprensa nesta terça-feira (14), ao lado do secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo. 

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Segundo Lavrov, "a Rússia reagirá positivamente" a um pedido de encontro entre Putin e Trump. Na segunda-feira, o presidente americano declarou que se reunirá com o chefe de Estado russo e com o presidente chinês, Xi Jinping, durante a cúpula do G20 em junho no Japão. Logo depois, o Kremlin afirmou que não havia "nenhum acordo" entre os dois países. 

Em visita à Rússia, Pompeo afirmou que Trump está determinado a melhorar as tensas relações entre as duas potências. As questões de discórdia vão desde a crise na Venezuela até os tratados de desarmamento, aos quais se somam as tensões dos últimos dias em torno do Irã, aumentando o temor de uma escalada militar na região.

Antes de Trump, no entanto, o próprio Pompeo se encontra com Putin nesta terça-feira. "Estou aqui porque o presidente Trump está determinado a melhorar esse relacionamento", declarou o secretário de Estado. "Temos diferenças [...], mas não precisamos ser adversários em todas as questões", acrescentou, na esperança de "estabilizar as relações e retornar a um caminho que não seja bom apenas para os dois países, mas também para o mundo".

"Acho que é hora de começar a construir um modelo novo, mais responsável e construtivo", disse Lavrov, por sua vez, pedindo "propostas concretas para tirar as relações russo-americanas de um triste estado".

Relações glaciais entre Rússia e EUA

Pompeo se tornará a maior autoridade dos EUA a se encontrar com Putin desde a cúpula de julho em Helsinki, entre o presidente russo e Trump. A Casa Branca espera que o fim da investigação do procurador especial Robert Mueller sobre uma suposta interferência russa a favor do presidente americano nas eleições de 2016 permita superar o atual estado glacial das relações entre os países.

Há quase dois meses, o procurador apresentou o relatório que afirma que uma interferência russa aconteceu durante a campanha eleitoral, mas sem ligação entre a equipe do então candidato Trump e Moscou. A investigação marcou a primeira metade do mandato do republicano, que sempre alegou inocência.

Nas últimas semanas, a tensão também aumentou entre os dois países devido à crise na Venezuela, onde ambas as potências acusam entre si de interferência. A Rússia continua sendo uma aliada do presidente Nicolás Maduro, enquanto os Estados Unidos apóiam o líder da oposição Juan Guaidó.

No início do mês, o presidente americano afirmou que teve uma conversa telefônica "muito positiva", de mais de uma hora, com Putin. Segundo Trump, o presidente russo assegurou que Moscou não está envolvido na Venezuela. No entanto, o próprio Pompeo e outros funcionários da administração americana pediram diversas vezes à Rússia que deixe de apoiar o presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

Política de "máxima pressão"

A visita de Pompeo coincide com as acusações dos Estados Unidos de que o Irã prepara "ataques" contra seus interesses no Oriente Médio. Os Estados Unidos posicionaram um porta-aviões, um navio de guerra, bem como bombardeiros B-52 e uma bateria de mísseis Patriot na região.

A Rússia, como os países europeus, é a favor de manter o acordo de 2015 sobre o programa nuclear iraniano, do qual os Estados Unidos se retiraram. Já o Irã decidiu neste mês suspender parte dos compromissos desse acordo.

"Uma política de máxima pressão nunca dá resultados", alertou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, nesta terça-feira. "Isso não encoraja um país a ser conciliador", acrescentou.

Pompeo se encontrou na segunda-feira (13) com vários líderes europeus, que alertaram sobre o risco de um conflito "por acidente". O medo de uma escalada no Golfo aumentou após atos de sabotagem, dos quais os detalhes são desconhecidos, contra três petroleiros e um cargueiro neste final de semana na costa dos Emirados Árabes Unidos.

Desarmamento: outra desavença

O desarmamento é outro motivo de atrito. Recentemente, os Estados Unidos e a Rússia decidiram abandonar um tratado da época da Guerra Fria que proibia mísseis terra-terra de tamanho entre 500 e 5.500 quilômetros.

No entanto, a Rússia e os Estados Unidos estão negociando o próximo tratado de controle de armas nucleares Start. O atual termina em 2021 e Trump quer incluir a China.

O presidente russo, que constantemente elogia as novas capacidades de seu exército, visitará nesta terça-feira, antes de receber Pompeo, o maior centro de testes nucleares da aviação russa. Segundo o Kremlin, Putin participará de uma demonstração de "armas promissoras".

(Com informações da AFP)

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