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Imprensa

Sudão: exército destrói com violência sonhos de uma revolução pacífica

Forças militares reprimem concentração com violência em Cartum, Sudão.
Forças militares reprimem concentração com violência em Cartum, Sudão. ASHRAF SHAZLY / AFP

Trinta anos após o massacre de Tiananmen em Pequim, os jornais franceses desta terça-feira (4) evocam um outro evento, desta vez bem atual, em que forças militares dispersaram na véspera, com violência e mortes, um movimento pela democracia em Cartum, no Sudão.

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Os militares que governam o país africano, informa o site do jornal Libération, declararam hoje que estão anulados os compromissos acordados previamente com os manifestantes e anunciaram a realização de eleições dentro de nove meses. O anúncio acontece um dia após um banho de sangue que matou mais de 30 pessoas e provocou centenas de feridos, segundo médicos próximos ao movimento pela democracia.

Há mais de dois meses, os manifestantes vinham mantendo uma concentração gigante na esplanada diante da sede do exército, na capital. “A massa pacífica e ordenada, que pouco a pouco ganharam as ruas adjacentes, viu policiais e soldados avançando”, conta o correspondente do jornal Le Figaro. “As redes de TV árabes mostraram ao vivo os manifestantes fugindo, em pânico, da praça. As barracas, instaladas para proteger os manifestantes, foram incendiadas, e a fumaça desenhava colunas negras em direção ao céu”, relata o diário.

O conselho militar de transição desmentiu qualquer “dispersão à força” da concentração e prometeu investigar o incidente, informa o Libération. O jornal lembra que o ato provocou muitas condenações internacionais, principalmente dos Estados Unidos e da ONU. O Reino Unido e a Alemanha pediriam uma reunião do Conselho de Segurança da ONU.

O Figaro explica que o acordo entre os militares, que depuseram o presidente Omar el-Bechir, no poder há três décadas, e a Aliança pela Liberdade e Mudanças, foi por agua abaixo. Em abril, civis e militares concordaram em um período de transição de três anos, com a formação de um governo civil e um conselho soberano.

Divisões

Mas a composição desse conselho de 120 integrantes, uma verdadeira Assembleia constituinte, continuava sendo fonte de divisões, com ambos os lados exigindo a maioria, explica Figaro.

O movimento civil, para mostrar sua força, organizou dois dias de greve geral, com adesão moderada, na semana passada. Os militares, por sua vez, optaram pela força.

Os chefes militares buscam apoio nos vizinhos poderosos, como o Egito, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita. Segundo o correspondente do Figaro, as potências árabes veem na crise sudanesa uma oportunidade de afastar Cartum da influência do Catar e dos Irmãos Muçulmanos, cúmplices do antigo regime.

“Nesse combate, as aspirações democráticas dos sudaneses parecem bem distantes”, conclui a reportagem.

 

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