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Linha Direta

Novas sanções dos EUA ao Irã devem secar entrada de dinheiro no país

Áudio 04:19
Com as novas sanções, a economia iraniana, que já está em apuros, deve ficar praticamente em coma, pois perderá a pouca entrada de capital que ainda recebe.
Com as novas sanções, a economia iraniana, que já está em apuros, deve ficar praticamente em coma, pois perderá a pouca entrada de capital que ainda recebe. Nazanin Tabatabaee/Wana News agency/via REUTERS.

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, chegou nesta segunda-feira (24) à Arábia Saudita para consultar os aliados americanos sobre a crise com o Irã. Antes de embarcar, ele declarou que a Casa Branca deseja negociações com Teerã sobre um novo acordo nuclear, apesar das novas sanções econômicas que devem ser impostas a partir de hoje ao país.

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Ligia Hougland, correspondente em Washington

O governo americano ainda não especificou exatamente como serão as novas sanções, além de que seu foco será nas exportações de petróleo, mas uma das possibilidades é que os Estados Unidos (EUA) poderão punir bancos e outras empresas que ofereçam ajuda ao Irã.

Recentemente, os EUA impuseram sanções sobre o setor industrial de metais iraniano, além de terem anunciado sanções sobre as principais empresas petroquímicas do país. As novas sanções focam principalmente as exportações de petróleo iraniano e são as mais duras já impostas. A ideia é acabar com as exportações de petróleo do país asiático e colocar o máximo de pressão econômica para que Teerã tenha de aceitar um novo acordo nuclear mais duro que o anterior.

A tensão entre Washington e Teerã aumentou desde que Donald Trump, em maio do ano passado, decidiu abandonar o acordo nuclear que o governo de Barack Obama havia firmado com o Irã, em 2015. Essa foi uma das promessas da campanha de Trump relacionadas à política externa que foram cumpridas, assim como a retirada dos EUA do Acordo de Paris sobre o Clima e a transferência da embaixada americana em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. Desde então, as sanções têm ficado cada vez mais pesadas.

Objetivo é sufocar a economia iraniana

Com as novas sanções, a economia iraniana, que já está em apuros, deve ficar praticamente em coma, pois perderá a pouca entrada de capital que ainda recebe. No entanto, as consequências não se limitam ao Irã, pois as novas sanções envolvem o cenário global.

Alemanha, Rússia e China queriam que os EUA tivessem mantido o acordo nuclear com o Irã e indicam ser contra sanções tão pesadas. Por outro lado, os EUA fizeram um trabalho convincente perante a comunidade internacional ao afirmar que o Irã era culpado pelos recentes ataques a dois navios petroleiros no Golfo de Omã e a um drone americano que o Irã alegou estar no seu território, acusação que os EUA negam. Assim, há indícios de que a comunidade internacional está ficando mais alinhada com a postura americana quanto ao Irã.

Apesar de os líderes da França, do Reino Unido e da Alemanha advertirem os EUA quanto a sanções mais duras, esses mesmos líderes também estão pedindo que o Irã fique dentro dos limites estipulados para seu estoque de urânio de baixo enriquecimento, que o país ameaça que vai ultrapassar ainda neste mês, em 27 de junho.

As diferentes maneiras de lidar com Irã serão um dos principais temas da próxima reunião do G-20, no próximo fim de semana. O uso de pressão econômica impiedosa para trazer países inimigos à mesa de negociação, que é a técnica preferida da atual Casa Branca, não é aceito pela maioria das outras grandes economias como um substituto absoluto para a diplomacia. O anúncio de que novas sanções entrarão em vigor provocou uma alta imediata de preço do barril do petróleo.

O objetivo das novas e duras sanções é fazer com que o Irã não tenha outra opção fora aceitar renegociar um novo acordo com os EUA e garanta que jamais terá armas nucleares. Isso é especialmente importante para Israel e a Arábia Saudita, os dois principais aliados dos EUA no Oriente Médio.

De olho em 2020

O Irã deve continuar desafiando os EUA, pois o país precisa jogar duro para não perder seu poder de barganha. Mas há risco nessa estratégia, pois qualquer uma das partes envolvidas pode cometer um erro de cálculo ao se mostrar irredutível, podendo resultar em vidas perdidas ou mesmo numa guerra. Tanto o secretário de Estado Mike Pompeo quanto Trump dizem que estão dispostos a negociar com Teerã, mas não têm pressa.

É possível que os líderes iranianos também não tenham pressa e estejam apostando que Trump não seja reeleito em 2020 e possam voltar a negociar com uma Casa Branca democrata e mais simpática ao Irã. Mesmo assim, hoje, os EUA estão em uma situação especialmente confortável em relação ao Irã, pois agora são o maior produtor de petróleo do mundo e logo devem se tornar o maior exportador de energia global. Se a tensão descambar para um confronto militar, a chance de Trump ser reeleito diminui, já que os americanos em geral ainda estão traumatizados com as guerras no Iraque e no Afeganistão.

Abertura para Coreia do Norte

Em Washington, Mike Pompeo e o conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton, têm fama de belicosos, ao passo que Trump tem uma postura não intervencionista, o que atrai muitos eleitores. É possível que a Casa Branca esteja aproveitando essa diferença de posição para fazer o jogo de policial bonzinho e policial durão e deixar os líderes iranianos inseguros. A fama de Bolton de durão e belicoso é de longa data. Os líderes da Coreia do Norte, inclusive, costumavam dizer que Bolton era um “monstro em forma humana” quando ele era embaixador na Organização das Nações Unidas (ONU).

Nesse domingo, a agência de notícias da Coreia do Norte divulgou que Kim Jong Un havia recebido uma carta “excelente” do presidente americano. A notícia foi confirmada pela Casa Branca, apesar de o governo americano ter tentando não dar muita importância para o fato, dizendo que há uma correspondência regular entre os dois líderes. Recentemente, Kim Jong Un enviou uma carta com votos de saúde para Trump, que fez aniversário em 14 de junho.

Os dois líderes tentam manter um canal de comunicação aberto, apesar de não ter havido nenhum progresso nas negociações sobre o programa nuclear norte-coreano desde fevereiro passado, quando Trump e Jong Un se encontraram no Vietnã. Na ocasião, Trump se retirou da mesa de negociação, pois o líder coreano se recusou a se comprometer a abandonar seu programa de armas nucleares.
Pompeo disse, nesse domingo, que o governo americano está pronto para voltar a conversar com a Coreia do Norte sobre o cancelamento do seu programa nuclear, assim que a ditadura estiver disposta a isso.

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