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Barein

Para analistas, plano de Trump para palestinos visa aliança entre Israel e árabes anti-Irã

O líder palestino Mahmoud Abbas rejeita o plano americano que será apresentado na conferência do Bahrein por ele não contemplar a questão política envolvendo Jerusalém e o fim da ocupação dos territórios.
O líder palestino Mahmoud Abbas rejeita o plano americano que será apresentado na conferência do Bahrein por ele não contemplar a questão política envolvendo Jerusalém e o fim da ocupação dos territórios. REUTERS/Mohamad Torokman

Os Estados Unidos organizam nesta terça (25) e quarta-feira (26) no Barein uma conferência sobre o desenvolvimento palestino, com o objetivo de aproximar os aliados americanos do Golfo e Israel, num momento em que aumentam as tensões com o Irã, o inimigo em comum. A iniciativa é apresentada como parte do plano de paz americano para o Oriente Médio.

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A Autoridade Palestina vai boicotar a reunião no Barein, que foi batizada de "Da paz à prosperidade", por considerar que não é possível discutir aspectos econômicos sem evocar uma solução política global para os territórios ocupados.

Durante o encontro, os Estados Unidos apresentarão o capítulo econômico de seu esperado plano de paz para o Oriente Médio. Estarão presentes representantes de potências regionais como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos. Os israelenses anunciaram sua participação, apesar de não informarem se enviarão uma delegação oficial ou apenas empresários a Bahrein, um país com o qual não mantém relações diplomáticas.

O plano americano, parcialmente revelado no sábado (22), prevê milhares de dólares de investimentos nos territórios palestinos ocupados, mas sem que a origem dos financiamentos esteja clara. Ele foi elaborado pelo genro de Donald Trump, Jared Kushner. No papel, os objetivos impressionam, como a criação de 1 milhão de empregos nos territórios palestinos em dez anos, graças à mobilização de US$ 50 bilhões.

Todos os setores receberiam recursos, da infraestrutura à energia, passando pela administração pública à cultura, tanto na Cisjordânia, como na Faixa de Gaza. O Egito, a Jordânia e o Líbano também seriam beneficiados. Os recursos seriam gerenciados por um banco de desenvolvimento internacional, e não pelas autoridades palestinas, que Washington considera incompetentes e corruptas.

Porém, a maioria dos especialistas da região recebeu o plano americano com pessimismo. A fragmentação dos territórios palestinos e a falta de liberdade de circulação de bens e de pessoas entre a Cisjordânia e a Faixa de Gaza é um dos pontos fracos apontados. A ausência de solução política para Jerusalém é outro ponto que enfraquece a iniciativa americana.

Na opinião de Hussein Ibish, pesquisador do Arab Gulf States Institute de Washington, os países do Golfo "estão conscientes de que uma conferência sobre o desenvolvimento palestino sem palestinos e sem a participação oficial de Israel é ridícula". "Acho que, mais do que tudo, querem marcar pontos positivos para a administração Trump, especialmente nesses tempos de tensão com o Irã", afirmou o analista à agência AFP.

Sem a presença das principais partes interessadas, os especialistas não esperam que a conferência leve a resultados tangíveis, mas permitirá que Washington tente uma reaproximação dos Estados do Golfo com seu principal aliado na região, Israel, no contexto de uma aliança anti-iraniana.

"Não acredito que a [...] ausência de líderes palestinos [...] contradiga de alguma forma a vontade americana de fortalecer a aliança nascente, ainda não oficial, que reúne os Estados Unidos, Israel e alguns países do Golfo contra o Irã", considera o analista Neil Partrick, especialista em Oriente Médio. "As prioridades de segurança nacional da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Bahrein contra o Irã pesam muito mais do que a pressão ideológica que por um tempo provocou a causa palestina nos líderes árabes", afirma.

Situação política x econômica
   

"Se você quiser unir o mundo inteiro contra o Irã, é preciso levar adiante o processo de paz entre Israel e os palestinos", argumenta Yoel Guzansky, ex-diretor da seção de países do Golfo no Conselho de Segurança Nacional de Israel. Guzansky lembra que Israel intensificou os esforços para fortalecer seus laços com os países do Golfo, no ano passado, embora não tenha admitido isso oficialmente. Em outubro, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu fez sua primeira visita a Omã.

No ano passado, em uma entrevista concedida à revista americana The Atlantic, o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed bin Salman, declarou que os israelenses, assim como os palestinos, "têm o direito de possuir sua própria terra"

No entanto, na opinião de Hussein Ibish, "uma real aproximação entre Israel e os Estados do Golfo, que é aberta e significativa, não está na agenda enquanto o processo de paz permanecer em um impasse e a questão de Jerusalém não for resolvida".

O presidente palestino, Mahmud Abbas, confirmou esta análise ao afirmar, no sábado, que "a situação econômica não deve ser discutida até que a situação política seja abordada". Abbas diz ter recebido garantias dos países árabes de que não haveria normalização com Israel sem uma solução política global. Em referências às críticas de Netahyahu ao boicote palestino, o líder palestino disse que aceitaria discutir o plano americano se Washington e Israel voltassem atrás e aceitassem a solução de dois Estados na região e o direito internacional.

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