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Política Internacional

Diante de risco de guerra entre EUA e Irã, margem de ação de europeus é mínima

O presidente francês, Emmanuel Macron, fala durante uma coletiva de imprensa à margem do G20, no Japão. 26/06/19
O presidente francês, Emmanuel Macron, fala durante uma coletiva de imprensa à margem do G20, no Japão. 26/06/19 Koji Sasahara/Pool via REUTERS

Em entrevista ao canal Fox Business Network, nesta quarta-feira (26), o presidente americano, Donald Trump, não descartou a possibilidade de uma guerra curta contra o Irã. Segundo ele, o conflito não envolveria tropas terrestres. Em meio à escalada de tensões entre os dois países, os líderes europeus tentam apaziguar os ânimos – mas sua margem de ação é muito limitada, sobretudo para salvar o acordo nuclear iraniano, avaliam analistas.

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Em uma entrevista concedida na cúpula do G20 em Osaka (Japão), o presidente francês, Emmanuel Macron, disse que em seu encontro nesta sexta-feira (28) com Trump, fará o possível para baixar as tensões. “É essencial que, hoje, todos os atores envolvidos diminuam a tensão, porque pode haver sequências insustentáveis. O papel da França, do Japão e da comunidade internacional será de tentar reconstruir um caminho para o diálogo”, afirmou Macron. “Mas hoje, o momento em que estamos traz riscos, que podem ser de guerra”, reconheceu o presidente francês.

Para ele, o mais importante agora é “ninguém cometer algo irreparável”. “Qualquer saída do acordo de 2015 seria um erro, e qualquer sinal nesse sentido, a curto prazo, seria um erro”, disse, em referência ao acordo entre Teerã e as as potências nucleares, para encquadrar o programa nuclear iraniano.

O presidente americano avaliou que os dirigentes iranianos seriam “estúpidos e egoístas” de não buscar um acerto para diminuir as sanções econômicas, restauradas desde que os Estados Unidos se retiraram do tratado. Já o presidente iraniano, Hassan Rohani, ressaltou que Teerã "não busca a guerra com país algum".

Acordo não sobrevive sem os Estados Unidos

Em maio, o chanceler francês, Jean-Yves Le Drian, destacou que os europeus continuariam a respeitar o acerto, desde que o Teerã também o fizesse. “Para nós, o acordo não está morto”, declarou. Entretanto, apesar das intenções, analistas ouvidos pela agência AFP consideram que a atuação europeia não será suficiente para salvar o tratado.

No fundo, a decisão cabe aos Estados Unidos e, desde que assumiu, o presidente americano se mostra imprevisível na cena internacional. “Tudo foi definido depois da decisão de Trump [de deixar o acordo]”, afirmou Bruno Tertrais, analista da Fundação para a Pesquisa Estratégica (FRS), da França.

Em 8 de maio de 2018, o líder americano anunciou que se retiraria unilateralmente do tratado firmado em Viena, após longas e difíceis negociações comandadas por seu predecessor, Barack Obama. Deste momento em diante, as tensões entre os Estados Unidos e o Irã só cresceram.

Poder econômico dos EUA leva acordo iraniano “para a UTI”

Além disso, a verdadeira razão da impotência europeia é econômica: a força dos americanos nos mercados financeiros e na economia mundial faz com que, na prática, país algum consiga contornar as sanções que prejudicam o Irã. As leis extraterritoriais americanas fazem com que o país possa sancionar empresas por fatos cometidos em outros países, e não só nos Estados Unidos.

“As sanções têm o princípio de instaurar o medo e uma incerteza geral. E a incerteza, como todos sabemos, é exatamente o que mais temem os empreendedores”, constata Bernhard Trautner, do Instituto Alemão para a Política de Desenvolvimento.

“As pessoas mais lúcidas compreenderam imediatamente que a Europa se acomodaria, que as empresas renunciariam a se opor a Trump”, resume o ex-diplomata francês Denis Bauchard, acrescentando que houve “muita retórica” por parte dos dirigentes europeus.

“Eu não diria que o acordo está morto, mas ele está claramente em terapia intensiva”, ironizou Annalisa Perteghella, especialista no Irã do Instituto de Análises Geopolíticas Ispi, da Itália. “Os Estados Unidos fizeram ferimentos graves nos iranianos, e a União Europeia fracassou em curá-los.”

“Dizer que mantemos o acordo é bom, em princípio, mas na prática não podemos”, resume o ex-ministro das Relações Exteriores Hubert Védrine, em entrevista à RFI.

Com informações da AFP

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