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Irã voltará a enriquecer urânio acima do limite estabelecido "a partir de 7 de julho"

O presidente iraniano, Hassan Rohani, durante Conselho de Ministros desta quarta-feira, 3 de julho de 2019.
O presidente iraniano, Hassan Rohani, durante Conselho de Ministros desta quarta-feira, 3 de julho de 2019. HO / IRANIAN PRESIDENCY / AFP

Ignorando os apelos da comunidade internacional, o Irã anunciou, nesta quarta-feira (3), que tem a intenção de voltar a produzir, a partir do próximo domingo (7), urânio enriquecido a um nível superior ao limite fixado pelo acordo assinado com as grandes potências em 2015.

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O presidente Hassan Rohani, apresentou a medida no Conselho de Ministros, ao mesmo tempo em que reiterou suas críticas aos Estados Unidos, Europa, China e Rússia. O líder iraniano os acusa de serem responsáveis pela paralisia atual em relação ao acordo, concluído em Viena em 2015.

O anúncio é realizado em meio às fortes tensões entre Washington e Teerã. A comunidade internacional teme um novo conflito na região estratégica do Golfo.

A crise entre os dois países se agrava desde 20 de junho, depois de Teerã derrubado um drone americano. Segundo o Irã, o aparelho violou o espaço aéreo iraniano, o que Washington nega.

Engajamentos previstos pelo acordo

Em 2015, a república islâmica se comprometeu a não se dotar de armas atômicas e a limitar seu programa nuclear em troca de uma suspensão parcial das sanções internacionais que asfixiavam sua economia.

O acordo se viu ameaçado, porém, desde que os Estados Unidos se retiraram unilateralmente do pacto, em maio de 2018. Na sequência, Washington restabeleceu as sanções, privando Teerã dos benefícios que esperava obter após o pacto.

Em 8 de maio - exatamente um ano após a retirada dos Estados Unidos -, Teerã declarou que deixaria de manter alguns limites fixados no acordo. O governo iraniano também estabeleceu aos Estados signatários do acordo um prazo de 60 dias para cumprir as exigências, como a suspensão de obstáculos às transações com seu sistema bancário e à venda de petróleo.

Rohani avisou nesta quarta-feira que seu país começará a aplicar no domingo a segunda fase do "plano de redução" de seus compromissos. A decisão, no entanto, pode ser reversível a qualquer momento, caso os outros sócios respondam às demandas dos iranianos.

Teerã "deixará de lado" seu compromisso de não enriquecer o urânio acima de 3,67%, a partir de "7 de julho". "Vamos elevar tanto quanto quisermos e na quantidade de que precisarmos", declarou Rohani.

O líder também advertiu que, a partir de domingo, o Irã pode retomar o projeto do reator de água pesada em Arak, no centro do país, para produzir plutônio, "a menos que os outros países do acordo cumpram todos os seus compromissos".

Dirigindo-se aos demais Estados que ainda fazem parte do acordo - Alemanha, China, França, Grã-Bretanha, Rússia -, Rohani frisou: "Nós continuaremos a respeitar o acordo de Viena desde que as partes o respeitem. Aplicaremos 100% do compromisso no dia em que as demais partes fizerem 100%", acrescentou.

Brincando com fogo

Na segunda-feira (1°), Teerã superou o limite de 300 quilos autorizado para suas reservas de urânio pouco enriquecido. Em resposta, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertou que a república islâmica está "brincando com fogo".

"Os Estados Unidos e seus aliados nunca permitirão que o Irã desenvolva armas nucleares", advertiu a Casa Branca, acrescentando que Washington manterá sua campanha de "pressão máxima".

"Extremamente preocupados" com a alteração nas reservas de urânio enriquecido por parte do Irã, Berlim, Londres, Paris e a União Europeia pediram na terça-feira (2) que o governo iraniano "reconsidere sua decisão e se abstenha de tomar novas medidas que enfraqueçam o acordo".

"Nosso compromisso em relação ao acordo nuclear depende do respeito total por parte do Irã a seus compromissos", acrescentaram.

Já a China pediu aos envolvidos que ajam "com moderação", enquanto a Rússia disse para Teerã "não ceder à emoção e respeitar as disposições essenciais do acordo".

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