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Hong Kong/Protestos

Governo de Hong Kong “enterra” lei sobre extradições, mas protestos continuam

A chefe de governo de Hong Kong, Carrie Lam, declarou nesta terça-feira que o projeto de lei sobre as extradições para a China, que provoca uma onda de protestos na ilha, está "morto".
A chefe de governo de Hong Kong, Carrie Lam, declarou nesta terça-feira que o projeto de lei sobre as extradições para a China, que provoca uma onda de protestos na ilha, está "morto". REUTERS/Tyrone Siu

Diante da onda de protestos histórica contra o projeto de lei sobre as extradições para a China, a chefe de governo de Hong Kong, Carrie Lam, cedeu, mas não completamente. A dirigente pró-Pequim declarou nesta terça-feira (9) que o texto “está morto”, mas se negou a anunciar sua retirada, como exigem os manifestantes. Novas manifestações foram convocadas.

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Carrie Lam, que quase não apareceu em público nas últimas semanas, pronunciou nesta terça-feira o discurso mais diplomático desde o início da onda de contestação. "Seguem existindo dúvidas sobre a sinceridade do governo, e preocupações sobre o fato de que o governo possa relançar o processo junto ao Conselho Legislativo [Parlamento local]. Assim, gostaria de repetir aqui que não existe plano. Este projeto de lei está morto", garantiu a dirigente à imprensa.

Ela também reconheceu que as tentativas de seu governo para aprovar o projeto de lei, suspenso em junho, foram um "fracasso total". O correspondente da RFI em Hong Kong, Florence de Changy, avalia que essa estratégia de Lam visa jogar a culpa sobre o fiasco da aprovação sobre sua equipe, se eximindo de assumir pessoalmente qualquer responsabilidade. A dirigente aceitou se reunir, em público e sem condições prévias, com representantes dos estudantes que lideram os protestos.

Movimento de contestação se ampliou

A ex-colônia britânica está há semanas mergulhada em uma profunda crise política, desencadeada pela rejeição ao texto, com grandes protestos e até confrontos entre policiais e manifestantes radicais.

A suspensão do projeto não bastou para acalmar a situação e o movimento se ampliou, exigindo reformas democráticas para deter a erosão das liberdades no território semiautônomo, que voltou ao controle da China em 1997.

Lam reconheceu que Hong Kong, um centro financeiro internacional, enfrenta desafios sem precedentes. "São problemas econômicos, de condições de vida e de divisões políticas no seio da sociedade. Devemos identificar estes problemas fundamentais e encontrar soluções para avançar".

Mas ela não aceitou algumas das exigências dos manifestantes, a começar pela retirada total do projeto sobre as extradições. Ela tentou justificar que “se retirasse o projeto agora, ele poderia voltar ao Conselho Legislativo em três meses”. Por isso, acreditando que a população quer ouvir “algo mais determinante e decisivo”, Lam prefere dizer que “o projeto de lei está morto".

Novos protestos

O Fórum Civil Pelos Direitos Humanos, um dos líderes das manifestações, rejeitou as declarações de Lam e prometeu novos protestos. "Se Carrie Lam e seu governo insistem em não escutar nossas reivindicações, o Fórum Civil seguirá convocando protestos e assembleias", disse à imprensa sua porta-voz, Bonnie Leung.

Os manifestantes exigem a anulação total do projeto sobre as extradições, uma investigação independente sobre a atuação da polícia, anistia para os detidos e a renúncia de Carrie Lam, próxima de Pequim.

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