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Rússia/Turquia/Otan

Otan está preocupada com entrega de primeiros mísseis russos à Turquia

O avião russo transportando os primeiras peças do sistema de defesa antimísseis S-400 chegando à base aérea de Akinci na Turquia, nesta sexta-feira 12 de julho de 2019.
O avião russo transportando os primeiras peças do sistema de defesa antimísseis S-400 chegando à base aérea de Akinci na Turquia, nesta sexta-feira 12 de julho de 2019. Reuters

A Rússia começou a entregar nesta sexta-feira (12) à Turquia mísseis S-400, anunciou o ministério turco da Defesa. Apesar da oposição do governo dos Estados Unidos, Ancara decidiu comprar o sistema de defesa antiaérea. A Otan está preocupada com a venda dos mísseis russos a um dos países que integram a Aliança Atlântica.

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"A entrega da primeira carga de equipamentos de defesa antiaérea S-400 começou em 12 de julho na base aérea Murted de Ancara", afirma um comunicado oficial turco. A informação foi confirmada por fontes oficiais em Moscou.

De acordo com a agência pública TASS, outro avião com novos S-400 deve decolar "em breve" e uma terceira entrega de mais de 120 mísseis de diferentes tipos será enviada "no final do verão por via marítima". Além disso, segundo outra fonte, cerca de 20 militares turcos foram formados entre maio e junho na Rússia para a utilização do armamento e outros 80 devem receber formação entre julho e agosto.

Marco na relação turco-russa

A entrega deste sofisticado sistema de defesa aérea é um marco na aproximação de relações entre Rússia e Turquia, que se distanciou do campo ocidental desde a tentativa de golpe de Estado no país, em 2016.

A base de Murted, que antes era chamada Akinci, é considerada o quartel-general dos oficiais que tentaram derrubar o presidente turco Recep Tayyip Erdogan, em julho de 2016. O terceiro aniversário do levante frustrado acontecerá na segunda-feira (15).

Otan preocupada

Após o anúncio oficial, um responsável da Otan se disse "preocupado" com a entrega à Turquia, um peso pesado da Aliança Atlântica, dos mísseis russos S-400. "A interoperabilidade de nossas Forças Armadas é essencial na condução de nossas operações e missões", disse o responsável, que pediu anonimato. Ele insiste para Ancara continuar desenvolvendo sistemas de defesa aérea com os aliados da Otan.

Na quarta-feira (10), a Turquia havia rejeitado uma última advertência americana sobre a compra das armas russas. Em resposta a uma declaração da porta-voz do Departamento de Estado americano, o ministério turco das Relações Exteriores pediu que os Estados Unidos “não adotem medidas prejudiciais para as relações entre os dois países".

"A Turquia ficará exposta a consequências reais e nefastas se aceitar os S-400", havia alertado o porta-voz do Pentágono. O governo dos Estados Unidos é contrário à compra porque considera que os mísseis não são compatíveis com os dispositivos da Otan.

Segredos tecnológicos

Washington também menciona o risco de que os militares russos, que treinarão os turcos para o uso dos mísseis, possam ter acesso aos segredos tecnológicos do novo caça americano F-35, que a Turquia deseja comprar.

No início de junho, o Pentágono lançou um ultimato a Ancara, dando o prazo até 31 de julho para desistir dos mísseis russos, sob o risco de ser excluída do programa F-35.

Erdogan disse no final de junho, depois de se encontrar com Donald Trump no Japão, que não temia expor seu país a sanções. De acordo com Nick Heras, do Center for a New American Security, o sistema S-400 "muda as regras do jogo com relação à estratégia de defesa aérea da Turquia".

"Do ponto de vista da segurança nacional, a Turquia precisa de um sistema de defesa aérea eficaz e de amplo alcance para cobrir todo o país, e os S-400 são perfeitamente adequados a essa necessidade", disse o especialista à AFP. "Não é nenhum segredo que Erdogan quer fazer da Turquia uma potência, o que supõe encontrar um equilíbrio entre as relações com a Rússia e a China, por um lado, e com os Estados Unidos, por outro", salientou Heras.

Para Nicholas Danforth, do German Marshall Fund, a compra desses mísseis reflete o desejo de Ancara de adotar "uma política externa independente e passar a limpo os termos de seu relacionamento com os Estados Unidos".

(Com informações da AFP)

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