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Pior naufrágio de migrantes no Mediterrâneo deixa ao menos 62 mortos na costa da Líbia

Alguns migrantes que foram socorridos por pescadores depois do naufrágio de seu barco ao largo da cidade de Khoms, na Líbia, em 25 de julho de 2019.
Alguns migrantes que foram socorridos por pescadores depois do naufrágio de seu barco ao largo da cidade de Khoms, na Líbia, em 25 de julho de 2019. REUTERS/Ismail Zetouni

Os corpos de pelo menos 62 migrantes foram resgatados nesta sexta-feira (26) na Líbia após o naufrágio no dia anterior do barco que os levava ao largo da cidade de Khoms, nesta que já é considerada a "pior" tragédia no Mar Mediterrâneo este ano, segundo a ONU.

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"As unidades do Crescente Vermelho da Líbia conseguiram resgatar 62 corpos de imigrantes", disse Abdel Moneim Abu Sbeih, alto funcionário das Nações Unidas. O número de pessoas a bordo do barco que afundou na noite de quarta a quinta-feira permanece incerto. Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), cerca de 145 migrantes foram resgatados, enquanto 110 continuam desaparecidos na Líbia, um país mergulhado desde 2011 no caos com lutas pelo poder e milícias.

Já a Marinha líbia evoca 134 sobreviventes e 115 desaparecidos. A ONG Médicos sem Fronteiras (MSF), na Líbia, estima que cerca de 400 pessoas estavam a bordo do barco. "Vamos continuar as operações para recuperar os corpos hoje à noite e amanhã", disse Sbeih, da ONU.

As autoridades em Khoms, uma cidade a 120 quilômetros a oeste de Trípoli e da qual partiu o barco, estão enfrentando dificuldades para enterrar os corpos resgatados, segundo uma fonte do município. Além de "problemas com os procedimentos legais", eles estão lutando para "encontrar um local para o enterro das vítimas" dessa nova tragédia.

"Precisamos de rotas seguras e legais para migrantes e refugiados, e qualquer migrante que busca uma vida melhor merece segurança e dignidade", disse o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, no Twitter, dizendo estar "horrorizado".

O naufrágio é um "terrível lembrete" dos riscos assumidos pelos migrantes que querem deixar a Líbia para a Europa, disse nesta sexta-feira a chefe da diplomacia europeia Federica Mogherini. "Toda vida perdida é demais", ela insistiu.

Antes do naufrágio, o Escritório do Alto Comissariado para os Refugiados e a OIM haviam informado que pelo menos 426 pessoas haviam morrido desde o começo do ano tentando atravessar o Mediterrâneo, que se tornou o mar mais mortífero do mundo.

Estado de choque

De acordo com o porta-voz da marinha líbia, General Ayoub Kacem, o barco era "de madeira" e "foi destruído a 5 milhas náuticas da costa, de acordo com depoimentos de sobreviventes". Os migrantes resgatados são na maioria eritreus, mas há palestinos e sudaneses entre eles, disse ele em um comunicado.

Menos de duas horas depois de sair da noite de quarta-feira, o barco se encheu de água e o motor parou. "Ficamos na água por seis a sete horas", disse um dos sobreviventes, dizendo que ele havia visto quase 200 pessoas morrerem entre "homens, mulheres e crianças".

"Um homem do Sudão disse que viu sua esposa e filhos se afogando, ele estava totalmente desorientado e ficou lá em estado de choque", disse Anne-Cecilia Kjaer, enfermeira de MSF. "Muitas crianças não sabiam nadar e mesmo aquelas que sabiam morreram de exaustão", afirmou.

“Viagem horrível”

Esse naufrágio foi para as vítimas o último estágio de uma "viagem horrível": antes de ir para o mar ", eles cruzaram o deserto e foram capturados por traficantes", disse a enfermeira. De acordo com os dados do IOM, pelo menos 5.200 pessoas estão atualmente em centros de detenção na Líbia.

Apesar dos riscos de cruzar a Europa, os migrantes vão para o mar, preferindo tentar a sorte em vez de permanecer na Líbia, onde são submetidos a abusos, extorsão e tortura, explicam as ONGs.

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