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ONU faz apelo por melhor uso das terras em prol do clima

Un champ de soja près de Santa Fe, en Argentine.
Un champ de soja près de Santa Fe, en Argentine. Getty Images/Silvina Parma

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) pediu, em um relatório publicado em Genebra nesta quinta-feira (8), ações a curto prazo contra a degradação das terras, o desperdício de alimentos ou as emissões de gases que provocam o efeito estufa pelo setor agrícola.

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As delegações dos 195 países membros do IPCC examinaram durante cinco dias o relatório, que tem como título "As mudanças climáticas, a desertificação, a degradação dos solos, a gestão sustentável das terras, a segurança alimentar e os fluxos de gases do efeito estufa".

O texto examina como as mudanças climáticas afetam as terras utilizadas para o cultivo, para o gado ou para as florestas, assim como questões de segurança alimentar, as práticas agrícolas e a maneira como o desmatamento modifica o clima. As 1.200 páginas foram detalhadas em uma entrevista coletiva em Genebra.

A conclusão principal é que "nosso uso das terras [...] não é sustentável e contribui para as mudanças climáticas", afirmou a copresidente do IPCC, Valérie Masson-Delmotte, antes de apontar que o relatório "ressalta a importância de atuar de modo imediato". "As terras estão sob pressão crescente das atividades humanas e das mudanças climáticas", afirmou a climatologista francesa em uma entrevista por telefone.

O documento afirma que não resta mais tempo, pois o aquecimento das terras emersas alcançou 1,53°C, o dobro do aumento global da temperatura, incluindo os oceanos. “A partir de 2°C de aquecimento global poderíamos enfrentar crises alimentares de origem climática mais severas e mais numerosas", advertiu um dos autores, Jean-François Soussana.

A margem de manobra é muito pequena se os países desejam limitar as mudanças climáticas e seus efeitos sobre as terras e, ao mesmo tempo, alimentar corretamente uma população mundial que, no fim do século, pode superar 11 bilhões de pessoas. "Temos que mudar substancialmente a maneira como utilizamos nossas terras", declarou Piers Forster, professor de mudanças climáticas na Universidade de Leeds, no Reino Unido.

Mudar os hábitos de alimentação

O IPCC elaborou diversas hipóteses para alcançar a meta de limitar o aumento da temperatura a 1,5°C ou a menos de 2°C em comparação ao período pré-industrial. As hipóteses incluem a mudança do uso das terras, o reflorestamento e as bionenergias, entre outras medidas.

O documento adverte, no entanto, que a reconversão do uso das terras (reflorestamento para capturar CO2, campos dedicados às bioenergias) poderia ter "efeitos colaterais indesejáveis", como a desertificação ou a degradação do solo. Escolher bem o que fazemos com a terra "é fundamental para enfrentar a crise climática", destacou Stephen Cornelius, da organização WWF, que atuou como observador durante as negociações.

Para o IPCC, além de reduzir as emissões de gases do efeito estufa, também é necessário mudar os hábitos de consumo. "Atualmente entre 25% e 30% da produção total de comida é desperdiçada", afirma o relatório, ao mesmo tempo que 820 milhões de pessoas no mundo passam fome.

Se nas regiões pobres as proteínas animais são insuficientes em alguns momentos, nos países ricos são consumidas em excesso e existem dois bilhões de adultos com sobrepeso ou obesos. "Por este motivo temos que eliminar o desperdício de alimentos e reduzir o consumo de carne", afirma a ONG Climate Action Network.

O relatório do IPCC publicado nesta quinta-feira é o segundo de uma série de três "informes especiais". O primeiro, divulgado no ano passado, abordou a questão da possibilidade de conter o aquecimento global a 1,5°C. O terceiro e último, previsto para setembro, examinará os oceanos e as geleiras.

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