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O Mundo Agora

Ataque de drones a refinaria saudita abre era das "guerras híbridas"

Áudio 04:50
Incêndio das instalações de Aramco na cidade oriental de Abqaiq, Arábia Saudita, 14 de setembro de 2019.
Incêndio das instalações de Aramco na cidade oriental de Abqaiq, Arábia Saudita, 14 de setembro de 2019. REUTERS/Stringer/File Photo

Todos os exércitos do mundo estão preocupados com a “transformação da guerra”. Os velhos conflitos patrióticos, com concentração de meios e combatentes, e campos de batalha definidos e “linhas vermelhas” que obrigam uma resposta em caso de ataque, são coisas do passado. Com as novas tecnologias da informação a guerra está se tornando incerta e ambígua. A conflitualidade está se estendendo a outros campos de batalha: a cibernética, o espaço e a informação e contrainformação. E isto de maneira permanente e muitas vezes sem que se possa determinar com certeza a identidade e a natureza do inimigo.

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Entramos na era das guerras “híbridas”, tecnológicas, onde estratégias e ações terão de ser decididas num abrir e fechar de olhos, sem tempo para pensar. A competição para garantir uma superioridade operacional em todas as frentes, utilizando as ferramentas da tecnologia digital, sobretudo a inteligência artificial, é renhida. Líderes civis e militares estão ameaçados de perder o controle.

Nesse ambiente sem fé nem lei, o ataque – por meio de drones – da maior concentração industrial de processamento de petróleo do planeta, no coração da Arábia Saudita é um sinal de alarme para as Forças Armadas de todos os países. Drones são armas relativamente baratas e difíceis de serem detectadas. E estão se tornando acessíveis para qualquer Estado soberano ou grupo político-militar ou criminoso. Poucos drones bem apontados podem causar estragos impressionantes e gravíssimos.

Nesse caso, foi a metade da produção de petróleo saudita que voou pelos ares, e vai levar tempo para restabelecer a antiga capacidade. Claro, existem reservas e outros meios para prover o sangue negro da economia global, mas os analistas já estão falando de uma nova crise no preço do petróleo. Se alguém está a fim de desestabilizar o Oriente Médio inteiro e a maior região petrolífera do planeta, não poderia ter agido de maneira tão simples e barata.

Os rebeldes xiitas huthis do Iêmen reivindicaram o ataque para pressionar os dirigentes sunitas de Riad de negociar o fim da intervenção saudita no país. Mas na verdade ninguém pode ter certeza.  Os Estados Unidos acusaram imediatamente o Irã, que prestam ajuda militar aos huthis. E Teerã desmentiu e retrucou ameaçando as bases e navios americanos no Golfo. Uma nova guerra geral na região seria uma catástrofe mundial.

Esse acontecimento basta para entender como uma simples tecnologia aplicada a um armamento pode virar a mesa das relações de força internacionais. O lado “híbrido” já havia sido explorado pela Rússia que invadiu partes da Ucrânia e da Geórgia com militares sem uniforme, fantasiados de civis. E que continua utilizando todos os meios da cyber-guerra da informação para influenciar as eleições nos países democráticos. Tudo isso, negando sem pestanejar.

Mas o problema não é só a dificuldade para identificar claramente o agressor e saber como responder. Conflitos “híbridos” também podem acabar em grandes enfrentamentos de alta intensidade. Só que com as novas tecnologias aplicadas aos exércitos, isso significa capacidades de ataques, tiros perfeitos e respostas fulminantes.

Desafio para Estados e Forças Armadas

Os responsáveis militares, com muita sorte, terão poucos segundos para decidir os rumos e as ações de combate. Sobretudo utilizando a Inteligência Artificial que permite tratar automaticamente todos os dados do campo de batalha em tempo real e até antecipar o comportamento dos beligerantes e de seus arsenais. De repente, um conflito pode virar um enfrentamento entre várias inteligências artificiais, que duraria poucos minutos provocando destruições apocalípticas.

A alternativa seria guerrinhas permanentes onde ninguém mais sabe quem ataca ou quem defende, envolvendo não só Estados soberanos e Forças Armadas mas até simples indivíduos ou “hackers” bem equipados a baixo custo. A grande questão hoje é saber se os comandos civis e militares, cada dia mais dependentes das novas tecnologias, ainda vão manter a capacidade de tomar decisões. Ou se doravante, a guerra vai ser “automatizada” por um algoritmo. Dá calafrios!

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