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Acusado de corrupção e preso, magnata disputará 2° turno da eleição presidencial na Tunísia

Nabil Karoui (esquerda) e Kais Saied (direita) irão disputar o segundo turno das eleições presidenciais da Tunísia, em outubro.
Nabil Karoui (esquerda) e Kais Saied (direita) irão disputar o segundo turno das eleições presidenciais da Tunísia, em outubro. Reuters : Zoubeir Souissi/Muhammad Hamed/Montage RFI

Resultados oficiais apontaram, nesta terça-feira (17), para um segundo turno surpreendente das eleições presidenciais na Tunísia. Após ter conquistado 18,4% dos votos, o candidato conservador Kais Saied vai enfrentar o empresário Nabil Karaoui, que obteve 15,8% da preferência do eleitorado, depois de uma campanha realizada atrás das grades.

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Logo depois da divulgação dos resultados, os advogados do empresário afirmaram que farão um novo pedido de libertação. Segundo os magistrados, o candidato pode se eleger presidente, já que nenhuma condenação o priva de seus direitos cívicos até o momento.

Karaoui, magnata das comunicações e dono do canal de TV Nessma, é investigado por lavagem de dinheiro e está preso desde 23 de agosto. O empresário foi detido a dez dias do início da contestada campanha, que realizou de dentro da prisão.

Para conquistar o eleitorado, seu canal de TV foi fundamental: uma estratégia extremamente criticada por seus opositores. Mas, diante da possibilidade de que seus rivais exijam o cancelamento da participação de Karaoui no 2° turno, o Isie, órgão independente encarregado de supervisionar as eleições, já deu seu parecer negativo. "Estamos analisando a situação, mas para tirar um candidato da corrida eleitoral é preciso ter uma razão válida e sólida de fraude", afirmou nesta terça-feira o porta-voz da instituição, Hasna Ben Slimane.

Salvador ou bandido?

Chamado de "salvador" por admiradores e de "bandido" por opositores, Karoui, de 56 anos, permaneceu preso desde o início de sua campanha. O candidato foi obrigado a repassar a responsabilidade a amigos e principalmente à esposa, Salwa Smaoui, que batalhou intensamente por votos.

Culpado ou não dos crimes dos quais é acusado, o magnata é um dos símbolos da transição política na Tunísia, com um eleitorado extremamente decepcionado com seus representantes e exausto da crise econômica que o país enfrenta desde a Primavera Árabe, em 2011.  O desemprego continua a afetar mais de 15% da população, incluindo muitos jovens recém-formados, a inflação engole a renda já baixa, enquanto a precariedade dos serviços públicos alimenta o ressentimento.

Levantando a bandeira da luta contra a pobreza, Karoui se dedicou a atividades caritativas nos últimos anos, conquistando popularidade entre as classes mais baixas. Também enfrentou uma opinião pública alarmada por seu percurso considerado duvidoso, sendo classificado por muitos como "mafioso".

Em função dos recursos aos quais a defesa do empresário pretende recorrer, o segundo turno da eleição presidencial poderá ser realizado em 6 de outubro, no mesmo dia em que as legislativas tunisianas, ou 13 de outubro, afirmou o órgão eleitoral. Karoui vai enfrentar Kais Saied, acadêmico de 61 anos, independente, desconectado das elites, que defende uma descentralização radical do poder, com uma democracia local e funcionários eleitos revogáveis durante o mandato.

"Os problemas sociais não serão resolvidos pelo poder central", disse ele na segunda-feira (16). "Não vendo um programa, cabe aos cidadãos defini-lo, e fazer grandes escolhas para superar a miséria", declarou.

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