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Israel/Netanyahu

Israel: o fim da era Netanyahu?

Outdoor com propaganda política de Benjamin Netanyahu em Jerusalém, março de 2019.
Outdoor com propaganda política de Benjamin Netanyahu em Jerusalém, março de 2019. ®REUTERS/Ammar Awad/File Photo

Segundo o professor Alfred Tovias, da Universidade Hebraica de Jerusalém, os eleitores israelenses se afastaram do primeiro-ministro ultraconservador Benjamin Netanyahu. No entanto, o impasse político continua em Israel e nenhum partido conquistou a maioria nas eleições legislativas. Tovias acredita que a situação assinala claramente o fim do que chama de “Era Netanyahu” em Israel.

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Por Raphael Morán

De acordo com os resultados quase finais do pleito em Israel, o partido Likud, do premiê Benjamin Netanyahu, e o partido Azul Branco, de Benny Gantz, conquistaram, cada um, 32 assentos no Parlamento israelense, o Knesset.

O resultado obriga cada uma dessas formações políticas a buscar alianças para alcançar a maioria absoluta de 61 cadeiras. Nem Netanyahu nem Gantz podem formar um governo sem o outro. É o que afirma o cientista político Alfred Tovias, do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Hebraica de Jerusalém.

RFI: Com esses resultados, podemos dizer que é o declínio de Benjamin Netanyahu, após 10 anos de poder?

Alfred Tovias: É o fim da era Netanyahu. Mas também com um certo reequilíbrio do eleitorado em direção ao centro, de um posicionamento de extrema direita para a centro-direita. As eleições giraram em torno de dois temas. O primeiro deles é um tema antigo, que fala de religião, sobre o quanto o país é laico ou religioso. E a outra questão gira em torno da corrupção de Netanyahu. Muitas pessoas votaram contra o primeiro-ministro, mais do que a favor da esquerda. E muita gente votou contra partidos religiosos. E os eleitores se mobilizaram: pessoas em Tel Aviv, que são muito liberais, por exemplo, foram massivamente votar e isso geralmente não acontece. Os árabes também votaram massivamente porque Netanyahu os incomoda, mas não por causa da corrupção, mas por causa de suas intempestivas ações contra os árabes e, portanto, eles se vingaram.

RFI: Um dos árbitros das futuras coalizões no Parlamento pode ser Avigdor Lieberman, ex-ministro de Netanyahu, que aumentou consideravelmente sua base eleitoral. Como explicar isso?

AT: Lieberman é de origem moldava, isto é, do bloco soviético, que tem apoio de muitos judeus da União Soviética. Ele tem posições muito difíceis em relação à política externa, em relação aos árabes e palestinos, mas têm a particularidade de serem liberais em assuntos pessoais. Muitos desses judeus que vieram da antiga União Soviética não eram religiosos, não sabiam nada sobre religião e isso os incomoda, por estarem sujeitos a essas regras estritas que os ultraortodoxos impuseram. Por exemplo, não existem casamento civil em Israel. Lieberman atraiu para ele uma série de votos que o levaram de cinco a nove assentos no Knesset e que, além de tudo, lhe dão a possibilidade de bloquear Netanyahu, para que ele possa formar um governo de extrema direita.

RFI: O nacionalista Lieberman propõe um governo de coalizão nacional com a direita e a esquerda. Existem precedentes em Israel?

AT: Houve nos anos 1980, onde havia até um governo rotativo. Dois anos de direita e dois anos de esquerda, quando Issac Shamir (direita) e Shimon Peres (trabalhista) se revezaram como primeiros-ministros. Mas, embora Lieberman considere urgente a existência de um governo de união nacional por razões de segurança e econômicas, parece-me que esse argumento é muito fácil. A situação econômica é muito boa, portanto, não há situação de urgência econômica, e também não há situação de urgência em termos de segurança. Por isso, não fica claro porque objetivamente o país precisaria de um governo de unidade nacional.

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