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Em novo relatório, cientistas da ONU alertam que cidades inteiras poderão ser engolidas por oceanos

Os autores do estudo acreditam que os oceanos podem subir um metro até 2100 - dez vezes mais do que no século 20
Os autores do estudo acreditam que os oceanos podem subir um metro até 2100 - dez vezes mais do que no século 20 MATHILDE BELLENGER / AFP

Ajam rápido contra as emissões de gases de efeito estufa ou cidades inteiras serão engolidas pela subida das marés, rios secarão e a fauna marinha desaparecerá. Esse é o alerta lançado por cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) em um relatório publicado nesta quarta-feira (25) sobre as consequências do aquecimento global para os oceanos, as geleiras e os polos.

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Alguns dias após manifestações de milhões de jovens ao redor do mundo pedindo aos líderes uma ação urgente em favor da natureza, os cientistas do IPCC - órgão independente da ONU - acreditam que medidas radicais ainda podem impedir que os piores cenários se concretizem. O documento ressalta que se as emissões de CO2 continuarem a aumentar, elas desequilibrarão os oceanos e as zonas mais frias do planeta.

"Todos, no mundo inteiro, serão afetados pelas mudanças que já estamos observando", sublinha o oceanógrafo britânico Michael Meredith, um dos autores do estudo. "O elemento principal deste relatório é que temos uma escolha. O futuro ainda não está definido", reitera.

Consequências diretas para 1,3 bilhão de pessoas

Finalizado na terça-feira (24) durante uma sessão de 27 horas de negociações em Mônaco entre cientistas e representantes governamentais, o documento é o resultado de dois anos de trabalho do IPCC. Realizado por mais de 100 especialistas com base em sete mil publicações científicas, ele detalha as consequências diretas do aquecimento global para 1,3 bilhão de pessoas que vivem próximas ao mar ou aos pés das montanhas.

Os autores do estudo acreditam que os oceanos podem subir um metro até 2100 - dez vezes mais do que no século 20. Segundo eles, se as emissões de dióxido de carbono continuarem aumentando daqui até 2300, o nível do mar pode se elevar a cinco metros.

Além disso, os oceanos desempenham um papel fundamental de regulação do clima. Eles absorvem o dióxido de carbono, gás envolvido no efeito estufa, mas, devido ao aumento da temperatura, também se tornam mais ácidos, podendo desencadear "ondas de calor oceânicas" intensas. Além da destruição de ecossistemas marinhos, esse fenômeno também interfere nas correntes oceânicas, favorecendo eventos climáticos extremos, como furacões, inundações e secas.

Entre as catastróficas previsões citadas no documento, está o grave impacto do abastecimento de água em boa parte do continente asiático, com o desaparecimento de geleiras no Himalaia que alimentam os rios Gange e Yangtze. Já o aquecimento das terras geladas da Sibéria ou do Alaska podem liberar grandes quantidades de gases de efeito estufa, piorando ainda mais a situação.

Em outubro de 2018, o IPCC já havia alertado que as emissões de CO2 precisam ser reduzidas pela metade na próxima década para que os objetivos determinados no Acordo de Paris Sobre o Clima, em 2015, sejam alcançados. No mês passado, o grupo também fez um apelo por uma mudança profunda na produção agrícola mundial, com o objetivo de preservar a segurança alimentar, a saúde e a biodiversidade.

Publicado dois dias depois da cúpula sobre o clima organizada pela ONU em Nova York, o terceiro relatório do IPCC também sublinha a falta de atitude dos governos. "Se nós não formos capazes de estabelecer ações ambiciosas para reduzir os gases de efeito estufa, enfrentaremos as piores consequências", afirma a paleoclimatóloga Nerilie Abram, da Universidade Nacional da Austrália e uma das autoras do documento. "Chegamos em um momento que temos uma escolha a fazer", adverte.

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