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Linha Direta

Assassinato de jornalista saudita completa um ano sem punição e sem corpo

Áudio 04:00
Manifestante mostra cartaz com foto de Jamal Khashoggi em frente ao consulado da Árabia Saudita de Istambul, em 25 de outubro de 2018.
Manifestante mostra cartaz com foto de Jamal Khashoggi em frente ao consulado da Árabia Saudita de Istambul, em 25 de outubro de 2018. REUTERS/Osman Orsal/File Photo

O assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi dentro do consulado da Arábia Saudita, na Turquia, completa um ano nesta quarta-feira (2) sem nenhuma condenação formal. Apesar das evidências públicas e novos depoimentos que reforçam os indícios da responsabilidade do regime saudita, Riad continua negando envolvimento na morte, ocorrida em 2 de outubro de 2018.A investigação da ONU concluiu, em junho, que Khashoggi foi vítima de uma execução premeditada pela Arábia Saudita. A relatora especial das Nações Unidas no caso, Agnès Calllamard, que se reúne hoje em Istambul com familiares e amigos de Khashoggi, critica a reação do regime saudita e denuncia a falta de coragem da comunidade internacional.

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Fernanda Castelhani, correspondente da RFI Brasil em Istambul

Nesta quarta-feira (02), está previsto um ato em memória do jornalista saudita Jamal Khashoggi diante do consulado da Arábia Saudita, onde o crime foi perpetrado há um ano. A Associação de Mídias Turcas e Árabes, Anistia Internacional, Repórteres sem Fronteiras e Observatório dos Direitos Humanos organizaram a cerimônia, que contará com a presença da relatora especial das Nações Unidas sobre o caso, Agnès Callamard, e Hatice Cengiz, a noiva do jornalista assassinado.

Falta de transparência no julgamento e nenhuma condenação

A investigação da ONU concluiu, em junho, que o jornalista foi vítima de uma execução premeditada pela Arábia Saudita. De lá para cá, nada mudou. Na Arábia Saudita, onze pessoas apontadas pelo Estado por meio de investigação interna enfrentam julgamento que, de acordo com as Nações Unidas, não segue padrões internacionais e deveria ser aberto ao público e a observadores estrangeiros. O príncipe-herdeiro Mohammad bin Salman declarou, nesta semana, que, como líder da Arábia Saudita, assume total responsabilidade pelo assassinato, uma vez que foi cometido por funcionários do governo, mas nega qualquer alegação de que ordenou a morte de Jamal Khashoggi.

O jornalista desapareceu em dois de outubro de 2018 logo após entrar no consulado saudita em Istambul para buscar documentos necessários para o casamento com a noiva, que é turca. Ele já tinha ido ao local anteriormente e foi orientado a retornar na data em que sumiu. Colunista do Washington Post, Khashoggi morava no Estados Unidos. Já foi conselheiro da realeza saudita, mas, com a ascensão do príncipe Salman ao poder, tornou-se crítico ferrenho da monarquia. Ou seja, sabia demais.

Novos detalhes sórdidos sobre o crime

Todas as informações que se tem sobre esse caso foram liberadas pelas autoridades turcas. Dias após o assassinato, a polícia turca afirmou que o jornalista havia sido estrangulado e esquartejado assim que entrou no consulado saudita em Istambul.

Na época, a Turquia entregou para a ONU 45 minutos de gravações. São conversas dentro do consulado em Istambul que foram agora esmiuçadas num documentário divulgado pela rede britânica BBC.

Em um dos áudios, minutos antes de Jamal entrar no prédio, um dos agentes sauditas pergunta se “o animal destinado ao sacrifício” havia chegado. O médico legista suspeito de desmembrar o corpo também comenta que costuma ouvir música ao cortar cadáveres. Em outro trecho, Khashoggi pergunta se o que ele vê se trata de uma injeção, o que sinaliza que ele foi sedado. Em outro momento, avisa que tem asma e afirma que será sufocado. Ainda é possível ouvir som de saco plástico e também de serra.

Há suspeita de que o corpo foi dissolvido com ácido no jardim do consulado ou próximo à residência oficial do cônsul saudita.

Pequenas retaliações internacionais e apoio dos EUA

Há exatamente um ano, a morte de Jamal Khashoggi provocou reações de governantes e organizações internacionais. Atualmente, Alemanha, Dinamarca e Finlândia interromperam a venda de armas para a Arábia Saudita que, por outro lado, não perdeu seu principal parceiro comercial: os Estados Unidos.

A imprensa turca informou que a Arábia Saudita negocia a venda do prédio do consulado em Istambul e a possibilidade de mudança é justamente para o bairro onde fica o consulado americano. O Departamento de Tesouro da Casa Branca até sancionou 17 oficiais sauditas por abuso de direito, mas não o príncipe. O presidente Donald Trump vetou um projeto de legisladores para banir a venda de armas para o país e continua se fazendo de desentendido quando o assassinato do jornalista vem à tona.

Nesta quarta-feira (02), a relatora especial da ONU sobre este caso, Agnès Calllamard, se reúne em Istambul com familiares e amigos de Jamal. Antes dessa viagem, ela afirmou que o príncipe saudita tentar reparar os danos causados a sua imagem insistindo em camadas e camadas de hierarquia que o separam dos executores. Mas, além de condenar os autores, perguntas continuam sem respostas, como: Onde estão os restos de Jamal?

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