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Imprensa

China: 70 anos de comunismo com ostentação de força

Desfile dos 70 anos da República Popular da China, em Pequim.
Desfile dos 70 anos da República Popular da China, em Pequim. GREG BAKER / AFP

Os jornais franceses desta quarta-feira (2) destacam a China em duas frentes. No continente, com a comemoração ostensiva dos 70 anos de comunismo na véspera e a violência que degenera na ex-colônia britânica Hong Kong.

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Na capa, o Figaro diz que para “celebrar o reino do Partido Comunista na China, o presidente Xi Jinping orquestrou um desfile à sua própria glória, passando em revista 15 mil sodados que marcharam sobre a retilínea avenida que cruza Pequim de leste a oeste”.

“Em pleno braço de ferro com Donald Trump e os manifestantes de Hong Kong”, o desfile de Xi reafirma “o renascimento chinês e uma concentração de poder sem igual desde Mao, diz o jornal conservador.

“Xi é o discípulo perfeito de Maquiavel. Ele entendeu que é melhor ser temido do que amado”, disse ao Figaro Jean-Pierre Cabestan, professor da Universidade Batista de Hong Kong. “O Partido Comunista conseguiu transformar as novas tecnologias em arma de controle da população”, declarou o historiador Zhang Lifan.

Investimentos militares

O jornal econômico Les Echos faz um levantamento da força militar exibida por Pequim. O desfile de milhares de soldados e centenas de tanques é uma mensagem clara aos Estados Unidos e Taiwan, segundo o diário.

Les Echos lembra que o orçamento militar chinês que era de quase US$ 20 bilhões em 1989, saltou para US$ 250 bilhões em 2019. “O investimento da China em sua potência militar abre opções a Pequim na política estrangeira”, avalia Mathieu Duchâtel, diretor do programa Ásia, do Instituto Montaigne, entrevistado pelo jornal. “Pequim busca tecnologias de ponta para conquistar uma vantagem estratégica decisiva, como por exemplo, com bilhoes em investimentos na inteligência artificial para uso militar”, acrescenta.

O medo como método

“O medo é o método favorito do Partido Comunista chinês”, é a manchete de Libération. O jornal de esquerda lembra que pela primeira vez, na terça-feira (1), um manifestante foi ferido por bala. Desde junho, os protestos e confrontos entre manifestantes pró-democracia e forças de ordem são quase cotidianas.

O repórter do Libé acompanhou em Hong Kong a tímida festividade pelos 70 anos do regime comunista. Ele relata os festejos minimalistas, com hasteamento da bandeira de manhã muito cedo, cancelamento dos fogos de artifício e decorações tímidas nas ruas.

Mas a festa mínima foi logo substituída pelo vigor dos manifestantes, com paredes pichadas de frases anti-PC e as ruas cobertas de fotos pisoteadas do presidente Xi Jinping.

Segundo a agência Reuters, a polícia teria tido reforço militar antiguerrilha. Os tiros acabaram atingindo um jovem de 18 anos, manchando a festa dos comunistas do continente.  

 

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