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Iraque/Protestos

Iraquianos voltam às ruas após morte de três manifestantes

Um terceiro manifestante, que havia ficado ferido na repressão policial contra as manifestações no Iraque, morreu nesta quarta-feira 2 de outubro de 2019.
Um terceiro manifestante, que havia ficado ferido na repressão policial contra as manifestações no Iraque, morreu nesta quarta-feira 2 de outubro de 2019. REUTERS/Thaier Al-Sudani

Os protestos, os mais importantes desde a chegada do novo governo iraquiano ao poder há um ano, começaram nessa terça-feira (1°) em várias cidades do Iraque e foram reprimidos com violência. Três manifestantes morreram e nesta quarta-feira (2) a polícia iraquiana atirou para o alto para dispersar novas manifestações em Bagdá.

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O presidente iraquiano Barham Saleh e a ONU pediram calma após a morte de três manifestantes. ”Se nossos jovens querem reformas e trabalho, temos o dever de satisfazer essas demandas legítimas”, tuítou Saleh.

Mas o primeiro-ministro Adel Abdel Mahdi, que enfrenta seu primeiro teste popular, não é tão moderado. Ele acusou "agressores" e "sabotadores" de "terem causado vítimas deliberadamente".

Nesta quarta-feira, a polícia voltou a utilizar armas para dispersar os manifestantes, mas até agora não há informações de novos feridos. Disparos foram ouvidos em manifestações organizadas nos bairros de Al-Shaab, ao norte da capital, e Zaafaraniya, no sul, onde os jovens queimaram pneus.

O movimento começou na terça-feira na Praça Tahrir, no centro da capital. Durante várias horas, mil pessoas protestaram em Bagdá e em outras cidades do país. Além dos três mortos, a repressão deixou mais de 200 feridos, segundo fontes médicas.

Protestos apartidários

O movimento social não tem partido, nem líder religioso. Ele é motivado pela deficiência dos serviços públicos e pelo desemprego no Iraque. A riqueza petrolífera do país contrasta com a pobreza da população. A juventude não tem quase nenhuma perspectiva de futuro; sua única opção é entrar para o exército.

Nesta quarta-feira, um jornaleiro de 27 anos, Abdullah Walid, que protestava na cidade de Zaafaraniya, disse que saiu às ruas "em apoio aos irmãos na Praça Tahrir", fechada pelas forças de segurança. "Queremos empregos, melhores serviços públicos. Exigimos isso há anos e o governo nunca nos respondeu", justificou.

Mohamed al-Juburi, que também trabalha como jornaleiro, reclama da situação, em meio às colunas de fumaça preta que sobem dos pneus queimados no bairro de Al-Shaab. "Nenhum Estado ataca seu povo como este governo. Somos pacíficos e eles atiram em nós", lamentou.

Anos de guerra e corrupção

O Iraque, que viveu anos de guerra desde 2003 e teve de enfrentar grupos insurgentes islâmicos, está devastado pela corrupção e pelos combates e sofre anos de escassez crônica de energia elétrica e água potável. Os manifestantes denunciam especialmente a classe política do 12º país mais corrupto do mundo, segundo ranking da ONG Transparência Internacional.

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