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Brasil-Mundo

Descoberta em Paris, acrobata carioca hoje brilha nos palcos da Alemanha

Áudio 03:37
A acrobata carioca Rosiris Garrido, que vive há 22 anos na Alemanha
A acrobata carioca Rosiris Garrido, que vive há 22 anos na Alemanha (Scumeck Sabottka)

A carioca Rosiris Garrido desembarcou há 22 anos na Alemanha para uma temporada com o Cirque du Soleil - e nunca mais voltou. Formada pela Escola Nacional de Circo do Rio, a artista foi descoberta durante uma apresentação em Paris. Hoje, sua arte ultrapassa as fronteiras do circo convencional.

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Por Cristiane Ramalho, correspondente da RFI em Berlim

Rosiris tinha expectativa zero ao entrar no avião que a levaria para o Festival Demain, em Paris, naquele final dos anos 90. Ela sabia que o evento era uma vitrine e tanto, capaz de atrair grandes companhias. Mas jamais poderia imaginar que seu duo circense, feito com a parceira Marta Chaves, fosse render um convite para trabalhar no Cirque du Soleil.

“Eles nos viram, nos contrataram, e algumas semanas depois estávamos no Canadá, para fazer a criação do espetáculo. A estreia foi em Hamburgo, na Alemanha”, lembra a carioca, especializada em acrobacia aérea.

A formação de quatro anos na Escola Nacional de Circo do Rio – referência na América Latina -, certamente ajudou. Mesmo assim, foi um salto no escuro: “Eu só falava português. A primeira língua que aprendi foi o francês – por conta do circo. Depois, veio o inglês e, por último, o alemão”.

Voo próprio

No palco, o que contava mesmo era a linguagem do circo. O espetáculo era um “dinner show” – um jantar de quatro horas, feito em parceria entre um estrelado chef alemão e o Cirque du Soleil. “Ele entrava com a gastronomia, e o circo com o lado artístico”, lembra Rosiris.

Com um espetáculo moderno, a companhia já apresentava uma abordagem diferente do circo. “O Cirque du Soleil incluiu música, tirou os animais de cena e colocou os artistas na linha frente, com uma coreografia mais elaborada. Com a França e o Canadá, eles começaram uma grande mudança”, diz a acrobata.

Foram quatro anos de turnês, até a brasileira resolver alçar voo próprio. Um caminho natural, para quem estava em busca de novas técnicas e linguagens: “A Alemanha sempre deu essa possibilidade para o artista solo. Não é preciso fazer parte de uma companhia para seguir adiante”.

Hoje, Rosiris é uma artista múltipla. Seu trabalho mescla acrobacia aérea, dança, música, dramaturgia, vídeo, mímica e performances.“Minha pesquisa é nessa multidisciplinaridade. O wall dance, por exemplo, onde a gente usa a parece como chão, tem uma imagem muito semelhante a uma instalação. E traz toda uma nova direção entre o artista e o público”.

Para além do circo convencional

Logo as fronteiras reais começariam a se expandir também. “Passei a fazer trabalhos fora da Alemanha. A dança me levou para a França, Holanda, Suécia... E é legal poder trazer isso de volta para cá. Os alemães estão famintos dessa mistura circense com um pouco mais de dramaturgia e outras artes”.

Em seu último espetáculo solo, apresentado em Berlim no ano passado, a carioca levou ao palco “Tempo e(m) Movimento”, uma história inspirada no Retiro dos Artistas – que abriga artistas da terceira idade no Rio de Janeiro.

“É um espetáculo autobiográfico, onde eu trabalho com a imagem do envelhecimento na arte, para discutir como a gente se move tentando não repetir padrões e se renovar a cada fase da nossa vida”, explica. Irrequieta, com um olhar contemporâneo, Rosiris segue em busca de linguagens que possam ultrapassar o circo convencional – e assim dar ao público mais do que ele mesmo espera.

Algo mais difícil do que se pensa. “O circo nasceu com o freak show, e o público ainda quer ver o espetacular, o suspense, as pessoas ‘diferentes’ que fazem o que os outros não conseguem fazer”. Ir além disso é seu grande desafio.

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