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Operação contra curdos

Ofensiva da Turquia na Síria gera onda de reprovações na Europa

Comboio militar turco se aproxima da fronteira com a Síria, no primeiro dia de uma controversa ofensiva militar de Ancara contra os curdos. (09/10/2019)
Comboio militar turco se aproxima da fronteira com a Síria, no primeiro dia de uma controversa ofensiva militar de Ancara contra os curdos. (09/10/2019) Mehmet Ali Dag/ Ihlas News Agency (IHA) via REUTERS

A Turquia cumpriu as ameaças e realizou ataques aéreos nesta quarta-feira (9) na região de Ras Al-Ain, no norte da Síria, fronteira com o território turco. Ancara havia anunciado o lançamento de uma ofensiva contra a milícia curda, em disparos que geram uma onda de reprovação dos europeus. A França solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU para debater a questão.

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Os ataques aéreos e disparos de artilharia atingiram a cidade de Ras al-Ain e seus arredores, de acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH). As forças curdas sírias indicam que houve vítimas civis.

A operação militar contra a milícia curda das Unidades de Proteção do Povo (YPG), apoiada por países ocidentais, foi anunciada pelo presidente turco, Recep Tayyip Erdogan. Ancara considera a YPG um grupo terrorista e diz que seu objetivo é criar uma "zona de segurança", destinada a receber refugiados sírios na Turquia e separar a fronteira das posições das YPG.

Vários países demonstram preocupação com as consequências humanitárias dessa ofensiva. A França afirmou que condena “com muita firmeza” a intervenção militar. “A França, a Alemanha e o Reino Unido estão finalizando uma declaração conjunta que será extremamente clara no fato de que condenamos muito fortemente e com muita firmeza [a operação]”, disse a secretária de Estado para Assuntos Europeus, Amélie de Montchalin.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, exigiu o fim da ofensiva, que segundo ele “não dará resultados”. Juncker garantiu que nenhum financiamento europeu será dado “para uma zona de segurança”, que a Turquia planeja instalar.

“A Turquia tem problemas de segurança na sua fronteira com a Siria, algo que nós compreendemos. Entretanto, uma incursão vai exacerbar os sofrimentos dos civis”, argumentou o líder da UE.

O governo alemão, por sua vez, advertiu que a operação aumenta "o risco de "ressurgimento do grupo terrorista Estado Islâmico" no país.

Trump defende retirada americana

O presidente americano, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (9) que o envolvimento dos militares americanos no Oriente Médio foi a "pior decisão já tomada" pelo país e que ele estava garantindo o retorno seguro das tropas americanas. Trump enfrenta uma reação bipartidária desde um anúncio surpresa feito pela Casa Branca no domingo (6), de que Washington estava retirando de 50 a 100 "operadores especiais" da fronteira norte da Síria.

"ENTRAR NO MÉDIO ORIENTE É A PIOR DECISÃO JÁ TOMADA NA HISTÓRIA DE NOSSO PAÍS! Entramos em guerra sob uma premissa falsa e agora não comprovada, AS ARMAS DE DESTRUIÇÃO EM MASSA", tuitou o presidente em referência à invasão americana do Iraque em 2003.

"Não havia NENHUMA! Agora estamos trazendo lenta e cuidadosamente nossos grandes soldados e pessoal militar para o lar. Nosso foco está no QUADRO GERAL! OS ESTADOS UNIDOS SÃO MAIORES DO QUE NUNCA!", completou, em seu tradicional estilo de escrita nas redes sociais.

Trump lamentou os US$ 8 bilhões gastos nos combates e operações de vigilância no Oriente Médio e os milhares de soldados americanos que morreram ou ficaram feridos nos conflitos. Calcula-se que os Estados Unidos tenham entre 60.000 e 80.000 militares destacados na área correspondente ao Comando Central dos EUA, que inclui Afeganistão, Iraque e Síria.

Rússia alerta sobre riscos

Mais cedo, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, pediu ao turco Erdogan que refletisse antes de iniciar qualquer ofensiva na Síria, informou o Kremlin em comunicado. "Putin pediu às autoridades turcas não impedir que esforços comuns para resolver a crise síria fossem afetados", disse o comunicado, após uma conversa telefônica entre os dois presidentes. Moscou é o maior apoio militar ao governo sírio desde o início da guerra no país, em 2011.

Na conversa, Erdogan afirmou que a ofensiva turca contra uma milícia síria curda trará "paz e estabilidade" à Síria. "O presidente declarou que a operação militar [...] abrirá o caminho para uma solução pacífica", disse uma fonte da presidência turca.

Apesar de apoiarem lados opostos na Síria, Rússia e Turquia aumentaram sua cooperação nos últimos anos. No entanto, na terça-feira, Moscou pediu para Ancara evitar ações que possam ser contraproducentes para uma possível resolução do conflito, no momento em que um conselho constitucional foi formado na Síria.

Com informações da AFP

 

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