Acessar o conteúdo principal
Turquia/Síria/EUA

Turquia nega pedido de cessar-fogo dos EUA e descarta negociação com curdos

O presidente turco Recep Tayyip Erdogan descarta negociação e exige que forças curdas entreguem as armas
O presidente turco Recep Tayyip Erdogan descarta negociação e exige que forças curdas entreguem as armas Mustafa Kamaci/Presidential Press Office/Handout via REUTERS

A Turquia descartou nesta quarta-feira (16) uma negociação com os combatentes curdos na Síria, exigindo que eles entreguem as armas e abandonem o que Ancara chama de "zona de segurança", perto de sua fronteira. O governo turco ignorou o pedido de cessar-fogo apresentado pelos Estados Unidos.

Publicidade

O presidente norte-americano, Donald Trump, que inicialmente havia aprovado a operação turca contra a milícia das Unidades de Proteção Popular (YPG), pediu o fim da ofensiva e autorizou sanções contra a Turquia. O chefe da Casa Branca também enviou a Ancara seu vice Mike Pence e o secretário de Estado, Mike Pompeo.

O líder turco Recep Tayyip Erdogan chegou a declarar que não iria receber os enviados americanos. Mas finalmente mudou de ideia a aceitou se encontrar com a delegação de Washington.

No entanto, o presidente turco não parece interessado em uma trégua. "Nos dizem que devemos declarar um cessar-fogo. Nunca poderemos declarar uma trégua enquanto a Turquia não expulsar a organização terrorista da fronteira", declarou Erdogan.

"Nossa proposta é que agora, esta noite, todos os terroristas entreguem as armas, equipamentos, que destruam todas as fortificações e abandonem a zona de segurança que estabelecemos", afirmou em um discurso no Parlamento, em referência a uma zona de 32 km de largura ao longo da fronteira. Ancara espera usar essa faixa de terra para se distanciar das áreas sob controle das YPG e repatriar parte dos 3,6 milhões de refugiados sírios instalados na Turquia.

Curdos se aliaram a Damasco

Ancara considera a milícia curda, principal integrante da coalizão árabe-curda Forças Democráticas Sírias (FDS), uma "organização terrorista" em razão de seus vínculos com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que opera uma guerrilha na Turquia.

Para contra-atacar a ofensiva, as forças curdas pediram ajuda a Damasco, que enviou tropas ao norte do país, sobretudo em Manbij e Ras al-Ain. Nesta localidade, na terça-feira (16), morreram dois soldados do governo Assad por disparos de artilharia dos rebeldes pró-Turquia, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

De acordo com a ONG, nesta quarta-feira (16), o Exército sírio e os combatentes curdos protagonizavam uma batalha violenta contra os rebeldes apoiados por Ancara em Ain Isa. A mobilização das forças do regime sírio, aliado de Moscou, provoca o temor de um confronto com os militares turcos e os rebeldes apoiados por Ancara.

Em sete dias, morreram 71 civis, 158 combatentes das FDS e 128 militantes pró-Turquia, segundo o OSDH. Ancara informou que seis soldados morreram na Síria, assim como 20 civis, que foram atingidos por foguetes disparados por combatentes curdos contra cidades turcas.

A ofensiva provocou a fuga de 160.000 pessoas do norte da Síria, anunciou a ONU. Vários países europeus temem uma fuga em massa de extremistas detidos em centros controlados pelos curdos. Quase 12.000 combatentes do EI, entre eles mais de 2.500 estrangeiros, estão detidos nestes campos.

(Com informações da AFP)

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.