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Oriente Médio

Turquia aceita proposta dos EUA de cessar-fogo temporário contra curdos no norte da Síria

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e o vice-presidente americano, Mike Pence, nesta quinta-feira (17) em Ancara.
O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e o vice-presidente americano, Mike Pence, nesta quinta-feira (17) em Ancara. AFP/Shaun TANDON

O vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, anunciou nesta quinta-feira (17) em Ancara que o Exército turco irá interromper a ofensiva militar no nordeste da Síria durante cinco dias, para permitir a retirada da milícia curda YPG (Grupo Unidade de Proteção) da região, que faz fronteira com a Turquia. A trégua foi negociada entre o vice americano e o presidente turco, Recep Tayyp Erdogan.

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Segundo o acordo de cessar-fogo, negociado em uma reunião de quatro horas, tropas americanas darão proteção aos milicianos curdos do YPG durante a retirada. O pacto prevê que a Turquia se abstém de realizar qualquer operação militar na cidade síria de Kobané. Caso os curdos deixem a área no prazo combinado, a Turquia colocará fim à sua ofensiva.

As forças curdas na Síria estão dispostas a respeitar a trégua, anunciou o comandante de uma aliança de combatentes curdos e árabes que resiste à ofensiva turca. "Estamos dispostos a respeitar o cessar-fogo", disse o chefe das Forças Democráticas Sírias (FDS), Mazloum Abdi, em uma intervenção por telefone na rede de televisão curda "Ronahi".

Em mensagem no Twitter, o presidente Donald Trump agradeceu Erdogan pela compromisso, afirmando que o acordo obtido "irá poupar milhares de vidas". O republicano também prometeu levantar as sanções contra Ancara se o cessar-fogo for respeitado.

Mais de 500 mortos em nove dias

A ofensiva turca iniciada em 9 de outubro deixou quase 500 mortos, incluindo mais de 100 civis, e forçou o deslocamento de 300.000 pessoas, de acordo com a ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Os países ocidentais apoiam as forças YPG por seu papel na luta contra os jihadistas do Estado Islâmico (EI), mas Ancara os considera "terroristas".

O objetivo da ofensiva é a criação de uma "zona de segurança" de 32 km de profundidade ao longo da fronteira. Este espaço permitiria separar a área das zonas sob controle das milícias curdas e repatriar parte dos 3,6 milhões de refugiados sírios instalados na Turquia. A operação transformou o norte da Síria no novo epicentro do complexo conflito que devasta o país desde 2011.

A pedido das autoridades curdas, o governo do ditador sírio, Bashar al-Assad, enviou tropas para áreas que não controlava há vários anos. E, no plano internacional, a Rússia começou a ocupar o vazio deixado pelos Estados Unidos.

Para os países europeus, a operação contra os curdos, que administram as prisões onde estão os jihadistas do EI, gera o temor de fuga de combatentes extremistas e o ressurgimento do grupo. O Conselho de Segurança da ONU também expressou preocupação com o "risco de dispersão" dos jihadistas no nordeste da Síria.

Em um comunicado, o EI anunciou que uma unidade "de soldados do califado" atacou na véspera um quartel-general das forças curdas perto de Raqa, "libertando mulheres muçulmanas sequestradas" por combatentes curdos.

Nesta quinta, as autoridades curdas acusaram a Turquia de usar armas não convencionais, como fósforo branco e napalm. Ancara negou as acusações.

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