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Manifestantes atacam sedes de partidos no Iraque: 48 mortos em 48 horas

Manifestantes iraquianos protestam contra a corrupção, o desemprego e os serviços públicos ruins em Bagdá (25/10/2019).
Manifestantes iraquianos protestam contra a corrupção, o desemprego e os serviços públicos ruins em Bagdá (25/10/2019). REUTERS/Thaier Al-Sudani

Quase 50 pessoas morreram durante protestos nas últimas 48 horas no Iraque, em manifestações que pedem "a queda do regime". Sedes de partidos e autoridades foram atacados. 

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Centenas de iraquianos tomaram as ruas de Bagdá neste sábado (26), desafiando novamente o gás lacrimogêneo das forças policiais. Mais seis mortes foram registradas, depois das 42 vítimas na sexta-feira (25).

Desde 1º de outubro, cerca de 200 pessoas morreram nos protestos, espontâneos e sem precedentes no país, nos últimos anos. As manifestações foram interrompidas por 18 dias por ocasião da grande peregrinação xiita que acontecia no país, mas foram retomadas na sexta-feira.
Nas últimas horas, a mobilização se voltou contra dezenas de sedes de partidos, escritórios de deputados e, especialmente, os locais de encontro dos grupos armados Hachd al-Shaabi, uma coalizão de paramilitares dominada por milícias xiitas pró-iranianas e aliadas do governo no Iraque.
Três pessoas morreram atingidas por tiros dos guardas do chefe de segurança do Conselho Provincial de Zi Qar (sul), cuja casa foi incendiada pelos manifestantes. Em Bagdá, três manifestantes morreram quando dezenas tentaram atravessar a ponte que leva à Zona Verde. Eles teriam sido atingidos por bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral.

Milicianos infiltrados

Segundo especialistas, milicianos infiltrados entre os manifestantes seriam responsáveis, em parte, por essa violência, com o objetivo de atingir grupos armados rivais. Entre os 42 mortos, mais de 20 perderam a vida em incêndios e ataques em diferentes cidades do sul do país, segundo a Comissão Governamental de Direitos Humanos e fontes médicas.
Esses protestos violentos não chegaram a Bagdá, onde os manifestantes da Praça Tahrir, perto da Zona Verde - que abriga o Parlamento e a embaixada americana - dizem que seu movimento contra a classe dominante é pacífico. Neste sábado, depois de dobrar os cobertores sobre os quais dormiram nesta praça emblemática, os manifestantes voltaram a se organizar e protestar.
Os participantes são céticos quanto à vontade das autoridades de querer elaborar uma nova Constituição e renovar uma classe política corrupta, que coloca o país na 12º posição dos países mais corruptos do mundo.

Líderes religiosos querem mudanças

Na quinta-feira, o primeiro-ministro Adel Abdel Mahdi solicitou que o sistema de atribuição de cargos de funcionários fosse reformado e que a idade mínima para ser candidato fosse reduzida, em um país onde 60% da população tem menos de 25 anos. Atualmente, um em cada cinco iraquianos vive abaixo da linha de pobreza e o desemprego juvenil excede 25%, segundo dados do Banco Mundial.
"Eles disseram aos jovens: 'Voltem para suas casas, vamos dar-lhes uma pensão e encontrar soluções, mas foi uma armadilha'", lamentou um manifestante.
O aiatolá Ali Sistani, a autoridade xiita mais importante do Iraque, pediu reformas e uma luta mais eficaz contra a corrupção, enquanto o líder político e religioso xiita Moqtada Sadr, que no início de outubro pediu a renúncia do governo, ameaçou levar às ruas seus milicianos.
"Sadr, Sistani... Que vergonha!", disse um manifestante, explicando que está nas ruas "porque não tem dinheiro". "Eles respondem com granadas. Basta!"

Políticos visados

Neste sábado, dezenas de jovens tentavam atravessar a ponte Yumhuriya, que leva à Zona Verde, mas foram bloqueados por gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral. A poucos metros, os deputados discutiam durante o dia "as demandas dos manifestantes, as decisões do Conselho de Ministros e a implementação das reformas", de acordo com a agenda publicada.
As autoridades iraquianas prometeram realizar reformas após a semana sangrenta de manifestações registradas no início deste mês. Mas, até agora, o Parlamento se viu paralisado por divisões internas e as sessões anteriores, que deveriam levar a mudanças em diferentes ministérios, foram canceladas ou adiadas devido à falta de quórum.
No sul do Iraque, os apelos a novas manifestações se misturam aos enterros das vítimas. Nesta região do país, várias sedes de partidos foram incendiadas. "A raiva se dirige contra eles porque são a vitrine do regime", disse a pesquisadora Harith Hasan, do Carnegie Middle East Center.
   

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