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O Mundo Agora

Morte do líder do grupo Estado Islâmico deve ajudar reeleição de Trump

Áudio 04:48
Abu Bakr al-Baghdadi, do grupo Estado Islâmico, que teve sua morte confirmada neste domingo.
Abu Bakr al-Baghdadi, do grupo Estado Islâmico, que teve sua morte confirmada neste domingo. Reprodução/Le Point

Abu Bakr al Baghdadi, o califa autoproclamado do grupo Estado Islâmico, morreu no noroeste da Síria. Como Ossama Bin Laden, o novo chefe terrorista mais procurado do planeta acabou caçado por forças especiais americanas. E não teve outro jeito senão se suicidar, acionando o seu colete explosivo. Alívio geral no mundo inteiro e um sucesso estrondoso para o Pentágono e os serviços de inteligência dos Estados Unidos.

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Al Baghdadi tornara-se um foragido, sem grandes capacidades operacionais. Era mais um símbolo do terrorismo islamista do que um perigo iminente. Mas sua morte caiu muito bem para Donald Trump, encurralado pelos democratas no Congresso e abertamente criticado por uma série de políticos, embaixadores e altos mandos militares por ter retirado os soldados americanos da Síria.

Para anunciar o feito, o lourão da Casa Branca decidiu tomar uma pose de presidente responsável, com bandeiras militares em segundo plano e palavras pousadas. Evitou arroubos no Twiter, e os habituais insultos aos seus inimigos internos, reais ou imaginários. Quase comedido, distribuiu louvores às administrações americanas e a todos os aliados que participaram de maneira ou outra.

Um dos problemas principais para sua reeleição é que pouca gente acredita na sua capacidade de encarnar o papel de “comandante em chefe”. Mas, desta vez, ele não fez por menos. Ainda falta um ano para as eleições presidenciais, mas a “operação Al Baghdadi” vai ajudar – e muito – a campanha de Trump. Sobretudo nesse momento quando ele está enfrentando um inquérito de impeachment na Câmara dos Representantes, dominada pelos democratas.

Provas e testemunhas vêm se acumulando contra o presidente e sua corriola, acusados de utilizar o poderio do Estado para tentar chantagear o presidente da Ucrânia, exigindo que abra um inquérito sobre uma suposta suspeita de corrupção envolvendo o filho do seu principal adversário, o democrata Joe Biden. E pela primeira vez, uma maioria de cidadãos apoia um processo de destituição. A pressão é de tal ordem que nas últimas semanas, as denegações da Casa Branca estavam resvalando para a histeria pura e simples.

Só o Senado pode julgar e condenar o presidente, e o Partido Republicano tem maioria nesse foro. Mas mesmo se, no frigir dos ovos, Trump puder escapar da destituição, o perigo é ter que enfrentar meses de processo desgastante. Nada alvissareiro para um presidente que já sabe que a eleição tem tudo para ser muito apertada. Só que agora vai ser difícil para os representantes democratas continuar atacando frontalmente um “comandante em chefe” vitorioso, que acabou com o inimigo terrorista número um dos Estados Unidos.

O anúncio relativamente sóbrio da morte de Al Baghdadi também esclareceu muita coisa sobre uma faceta da política externa do magnata da Casa Branca. Pelo visto, tirante o prosseguimento da luta antiterrorista, o Oriente Médio não é mais um problema estratégico fundamental. Trump declarou claramente que os problemas na Síria deveriam ser resolvidos pelas potências regionais (Turquia, Iraque, Rússia) e os diversos grupos sírios, incluindo os Curdos. Quanto aos milhares de terroristas de origem europeia na Síria, essa uma questão que a Europa vai ter que resolver e não os “contribuintes americanos”. Virem-se! A ideia é retirar as tropas da região e só manter as forças necessárias para proteger os campos de petróleo e ajudar Israel.

Aliás, Donald Trump não deixou de agradecer calorosamente os “amigos” russos e turcos pela assistência na ação contra Baghdadi. O eixo central do pensamento trumpiano é o enfrentamento com a China. O resto é não se meter em conflitos regionais sem saída, mas manter uma capacidade de intervenção militar e econômica avassaladora (com ou sem aliados ocasionais) caso algum interesse americano no mundo for ameaçado. A “operação Baghdadi” foi só uma pequena ilustração dessa visão. Uma espécie de isolacionismo armado até os dentes para poder ameaçar quem quiser... e ganhar as próximas eleições.

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