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Em meio à ameaça climática e à crise no Chile, COP 25 é incerta

COP 25 é considerada crucial para pressionar os países à adoção de medidas mais ambiciosas pela redução das emissões de carbono, que causam o aquecimento global.
COP 25 é considerada crucial para pressionar os países à adoção de medidas mais ambiciosas pela redução das emissões de carbono, que causam o aquecimento global. ALASAG

Após o anúncio do presidente do Chile, Sebastián Piñera, de cancelar a realização da COP25 em Santiago, prevista para dezembro, a ONU informou nesta quinta-feira (31) que procura um plano B. Sacudida por protestos massivos, a capital chilena não parece propícia para receber os 25.000 convidados, chefes de estado, ministros e representantes da sociedade civil.

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Várias opções estão disponíveis para a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, a UNFCCC, que organiza as COPs. A primeira hipótese seria fazer a reunião, inicialmente prevista para os dias 2 e 13 de dezembro, em Bonn, na Alemanha, onde fica a sede do organismo. Mas o adiamento da COP25 para junho de 2020 também está sendo cogitado.

O presidente chileno, Sebástian Piñera, informou que a Espanha também poderá sediar a COP 25.

Ao enfrentar a maior crise social desde o retorno à democracia no Chile, em 1990, o presidente de direita disse que precisa se dedicar totalmente à restauração da ordem pública e à promoção de uma agenda social que responda às demandas das ruas.

O Chile também abriu mão de sediar a APEC, cúpula de líderes do Fórum de Cooperação Ásia-Pacífico, que aconteceria entre os dias 16 e 17 de novembro, deixando aos organizadores poucas semanas para reorganizar o evento. A Apec de Santiago era vista como o palco em que os governos da China e dos Estados Unidos poderiam assinar um acordo para encerrar a guerra comercial entre os dois países.

Já a COP 25 é considerada crucial para pressionar os países à adoção de medidas mais ambiciosas pela redução das emissões de carbono, que causam o aquecimento global. A ativista sueca Greta Thunberg era uma das presenças esperadas.

O cancelamento dos dois eventos, no entanto, não foi surpresa para milhares de manifestantes presentes em Santiago há vários dias. Entrevistados pela RFI, muitos dizem que seria inaceitável receber os líderes do planeta, enquanto a repressão continua nas ruas.

Segundo o Ministério Público chileno, pelo menos 23 pessoas morreram desde o início dos protestos. Ao menos cinco delas foram mortas por membros da polícia.

“Atualmente, o país está focado em outras coisas: demandas sociais, é isso que interessa aos chilenos agora. Portanto, não me surpreende que ele tenha cancelado a COP e a APEC ", disse à RFI Romi Jorquera, que participa dos protestos na capital.

O estudante Inácio Silva também diz estar satisfeito com o cancelamento das duas cúpulas internacionais. "Ficou claro que o chamado paraíso neoliberal do Chile era apenas um mito. O governo não se concentrará na APEC ou na COP, mas em resolver a crise social por que o país está passando", disse à reportagem da RFI.

Chile continua presidindo a COP 25

O Chile continua sendo o presidente da COP 25, informa Faram Haq, porta-voz do secretário-geral da ONU. Assim, o trabalho que o país realizou nos últimos meses será levado em consideração.

"A verdadeira questão é encontrar um local adequado e, com um pouco de sorte, devemos conseguir. Já houve precedentes em que o país organizador não foi o mesmo em que a conferência era realizada," explica.

Foi o que aconteceu em 2017-2018, quando Fiji não pôde receber os participantes da COP23. O país localizado no Pacífico Sul foi considerado de difícil acesso por muitos convidados, e a conferência principal foi realizada em Bonn.

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