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Milhares de pessoas desafiam proibição de protestar e lotam ruas de Hong Kong

Militantes ignoraram a proibição do governo e ocuparam as ruas de Hong Kong neste sábado (2).
Militantes ignoraram a proibição do governo e ocuparam as ruas de Hong Kong neste sábado (2). REUTERS/Thomas Peter

Milhares de militantes pró-democracia voltaram às ruas de Hong Kong neste sábado (2) para uma manifestação não autorizada. Cenas de violência entre a polícia e os manifestantes foram registradas.

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Vestidos de preto, alguns com o rosto coberto, apesar da proibição oficial, os manifestantes lotaram o distrito comercial de Causeway Bay e as regiões de Victoria Park e Wanchai, onde muita gente acompanhava a final da Copa do Mundo de Rúgbi.

Como tem se tornado frequente, os manifestantes ignoraram as restrições impostas pelas autoridades e começaram a ocupar as ruas em massa, apesar do risco de serem presos por participação em mobilizações ilegais. Muitos militantes bloquearam as ruas com barricadas e os vidros da Xinhua, a agência oficial de notícias da China, foram quebrados.

Os policiais tentaram dispersar os manifestantes com bombas de gás lacrimogêneo e canhões de água. Alguns ativistas responderam atirando pedras e coquetéis molotov contra a polícia. Perseguições pelas ruas e cenas de confrontos foram registradas.

China promete não ceder às exigências

O 22° fim de semana de mobilização ocorre um dia depois que a China alertou que não realizará nenhuma mudança no sistema governamental e anunciou que tentará reforçar o sentimento de patriotismo neste território semiautônomo. A mobilização minou a reputação de Hong Kong como centro financeiro internacional e afeta sua economia.

Enquanto o governo chinês não dá nenhum sinal de resposta às demandas, os manifestantes continuam a exigir mais democracia e uma investigação sobre as ações violentas da polícia.

"Todo o governo é controlado pelo governo central, por isso temos que nos manifestar, para proteger as liberdades que merecemos", disse um manifestante de 17 anos, sob anonimato.

Entre os que convocaram a manifestação neste sábado está Joshua Wong, uma das principais figuras do movimento pró-democracia de Hong Kong.

"O exercício da liberdade de reunião é cada vez mais difícil, pois a polícia de Hong Kong vem adotando um controle mais rígido nos últimos meses. No entanto, não estamos renunciando aos nossos direitos constitucionais", escreveu ele no Twitter.

Wong está sujeito a duras penas do governo chinês, e a mídia oficial o chama de "separatista" e "traidor" porque ele militar por uma maior autonomia para Hong Kong. No entanto, o ativista nega a busca pela independência e diz que quer apenas manter as liberdades democráticas no território.

Reivindicações evoluem

Desde junho o movimento pró-democracia realiza manifestações e atos quase diários, denunciando um recuo das liberdades, mas também uma crescente interferência de Pequim nos assuntos de sua região semi-autônoma.

Entre as principais exigências dos militantes, estão uma investigação independente das ações da polícia, uma anistia para os mais de 2.500 presos e eleições completamente livres - demandas rejeitadas por Pequim e pela chefe do executivo de Hong Kong, Carrie Lam.

A única concessão feita até o momento foi a retirada de um projeto de lei para facilitar as extradições para a China - o gatilho inicial das mobilizações -, que ao longo dos meses foi crescendo e exigindo medidas cada vez mais amplas.

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