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Petroleira saudita Aramco entra no mercado de ações e pode se tornar maior empresa do mundo

O presidente do conselho de administração da Aramco, Yasir al-Rumayyan, durante coletiva de imprensa em Dhahran, na Arábia Saudita, neste domingo (3).
O presidente do conselho de administração da Aramco, Yasir al-Rumayyan, durante coletiva de imprensa em Dhahran, na Arábia Saudita, neste domingo (3). REUTERS/Hamad I Mohammed

A gigante petroleira saudita Aramco confirmou neste domingo (3) sua entrada no mercado de ações, podendo transformá-la na maior do mundo e que mostra a vontade do príncipe herdeiro Mohamed Bin Salman de promover mudanças profundas economia do reino. A empresa deverá apostar um total de 5% de seu capital, com um lançamento inicial de 2% na bolsa nacional saudita em dezembro. 

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"A Aranco confirma sua intenção de entrar na Tadawul, a Bolsa Nacional Saudita", indicou a companhia pelo Twitter. No entanto, segundo o presidente do conselho de administração da companhia, Yasir al-Rumayyan, até o momento, ainda não há planos para o mercado estrangeiro de ações.

As ações da Aramco serão inicialmente propostas no mercado saudita a investidores e cidadãos do país, além de residentes estrangeiros no reino. "É uma etapa significativa na história da companhia e um progresso importante dentro da realização do 'Visão 2030'", reiterou, fazendo referência ao programa lançado pelo príncipe herdeiro para preparar a maior economia árabe a uma era pós-petróleo.

A entrada da gigante petroleira no mercado de ações é o ponto central do Visão 2030, oferecendo entre US$ 1,5 bilhão e US$ 1,7 bilhão da companhia em ações, o que pode torná-la a maior do mundo. Já descrita como a mais lucrativa do planeta, a empresa anunciou um lucro de até US$ 68 bilhões setembro. Em 2018, registrou US$ 111,1 bilhões em lucros, mais do que os benefícios combinados da Apple, Google e Exxon Mobil.

Dúvidas sobre transparência e governança

A Aramco iria lançar a primeira parte dessas duas ofertas públicas em outubro, mas o processo foi adiado, supostamente devido à insatisfação do príncipe com a avaliação da empresa. Os executivos da petroleira encontraram ceticismo entre os investidores de Londres e Nova York sobre questões relacionadas à transparência da empresa, práticas de governança e avaliação objetiva.

Os criadores da iniciativa abordaram então famílias sauditas ricas e gestores de ativos locais como compradores das ações e pediram aos bancos sauditas que disponibilizassem financiamento para apoiar os investidores de varejo. O reino redobrou seus esforços para seduzir os investidores prometendo dividendos anuais de US$ 75 bilhões, segundo o site da empresa. Desta forma, a companhia inspirou mais confiança, embora ainda haja dúvidas de quanta informação divulgará.   

Segundo Andrew Lebow, sócio sênior do Commodity Research Group e especialista no mercado de petróleo, essa será a primeira vez que a Aramco terá de lidar com acionistas. "É difícil dizer se vamos ter o filme completo. A Aramco está certamente muito mais transparente do que nunca, mas saberemos em breve se a clareza sobre suas finanças é uma questão que permanece em aberto", avalia.

"Uma função importante da introdução no mercado de ações local é projetar confiança na empresa no mercado internacional", analisa Cinzia Bianco, pesquisadora do European Council on Foreign Relations. "Isso permite que o príncipe Mohammed mostre que ele está cumprindo suas promessas e fazendo o que deve fazer, um novo passo para tranquilizar os investidores internacionais", enfatizou. 

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