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Irã/urânio

Irã já tem capacidade para enriquecer urânio a 60%

Dois técnicos iranianos no prédio próximo à central nuclear de Bouchehr, a 1200 quilômetros no sul da capital, em Teerã.
Dois técnicos iranianos no prédio próximo à central nuclear de Bouchehr, a 1200 quilômetros no sul da capital, em Teerã. AFP /Behrouz Mehri

O anúncio foi feito pelo neste sábado (9) pelo porta-voz da agência nuclear iraniana, Behrouz Kamalvandi. Segundo ele, com a atual tecnologia, o país tem a possibilidade de enriquecer urânio a 5%, 20% e 60%.

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Este nível é bem superior às necessidades civis da República Islâmica, mas continua sendo insuficiente para fabricar armas nucleares. As autoridades iranianas anunciaram que o Irã passará, nesta segunda-feira (11), para a quarta etapa do projeto que visa colocar um fim aos compromissos no acordo nuclear de Viena, em 2015, assinado com as potências ocidentais.

Os Estados Unidos se retiraram do acordo em 2018. Para o Irã, a decisão abre um precedente para que o país dê continuidade a suas atividades nucleares sem as restrições previstas no documento. O governo iraniano também retomará as chamadas injeções de hexafluorido de urânio, que possibilitam o enriquecimento de urânio, em sua central nuclear de Fordow. Por conta do acordo, as 1044 centrífugas do local não podem ser utilizadas para outras funções, como a produção de isótopos usados em diversas áreas, como pesquisas médicas por exemplo.

Incidente com inspeção

O Irã também estar disposto a divulgar imagens de um incidente que envolveu uma inspetora da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), cuja credencial foi retirada. Uma verificação na entrada da fábrica de enriquecimento de urânio em Natanz, no centro do país, "disparou o alarme várias vezes, mostrando que a inspetora estava contaminada com alguns materiais ou os carregava com ela", afirmou Behruz Kamalvandi, porta-voz da organização de energia atômica do Irã.

"Se necessário, mostraremos as imagens" deste incidente, afirmou. Ele lamentou as "amargas experiências" do Irã em matéria de sabotagem nuclear, que levaram a um rigoroso sistema de controle. O Irã frequentemente já acusou diversas vezes Israel e os Estados Unidos de realizar campanhas de sabotagem e também denunciou ataques cibernéticos contra suas infraestruturas.

"Intimidação escandalosa"

O chefe da diplomacia dos EUA, Mike Pompeo, considerou incidente envolvendo a inspetora da AIEA na sexta-feira de "intimidação escandalosa". Na quinta-feira, a AIEA afirmou que "não era aceitável" que Teerã "tenha impedido temporariamente" uma de suas inspetoras de "deixar o Irã na semana passada", devido a suspeitas contra ela.

O embaixador iraniano na AIEA, Kazem Gharib Abadi, negou que a inspetora tivesse sido presa e disse que estava autorizada a deixar o país, apesar das investigações em andamento. De acordo com um acordo de 2015 sobre o programa nuclear iraniano entre Teerã e as grandes potências - fragmentado pela retirada dos Estados Unidos em maio de 2018 - os centros nucleares do Irã estão às inspeções da AIEA.

Novo campo de petróleo

O Irã também anunciou neste domingo a descoberta de um novo campo de petróleo no sudoeste do país, com reservas estimadas em 53 bilhões de barris, o que aumentaria em um terço os estoques atuais. Em um pronunciamento, o presidente Hassan Rohani, "falou num pequeno presente do governo ao povo do Irã", país que enfrenta uma crise econômica reforçada pelo restabelecimento das sanções dos Estados Unidos. 

 

(Com informações da AFP)

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