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O Mundo Agora

Guerra entre Estados Unidos e China por 5G é um problema mundial

Áudio 04:33
China x EUA: A guerra em torno da corrida tecnológica pela instalação de redes de telecomunicações 5G
China x EUA: A guerra em torno da corrida tecnológica pela instalação de redes de telecomunicações 5G REUTERS/Sergio Perez/File Photo

A última a entrar na corrida foi a telecom francesa Orange, que inaugurou um serviço em 5G para três cidades romenas. Mônaco já tinha rede. Mas também Seul na Coreia, bairros de cidades americanas e alguns centros urbanos chineses. A disparada começou e ninguém pode ficar fora. A 5G não são só comunicações mais rápidas.

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Essa nova tecnologia vai transformar de cabo a rabo a nossa maneira de viver, de organizar a produção, o consumo, os serviços públicos, os transportes, as finanças, o lazer e a própria maneira de governar. Sem falar da arte militar. A velocidade e ubiquidade de uma rede 5G permitem uma interconexão geral e imediata de tudo com tudo. Um pulo na automação com máquinas prevendo problemas, analisando situações e tomando decisões em microssegundos.

Quem não domesticar essa nova tecnologia vai cair no buraco da história. E sem a mínima chance de recuperar o tempo perdido. Um futuro trágico num mundo que está justamente mudando de civilização.

Não é por nada que essa aceleração tecnológica está suscitando debates acirrados entre os que acham que as máquinas vão tomar o poder e escravizar a raça humana, e os otimistas que pensam num mundo onde tudo será mais fácil e mais barato. Inferno ou volta ao Paraíso terrestre. A verdade é que ninguém sabe o que será a nova civilização da conexão geral.

Por enquanto, a briga é saber quem vai mandar nesse processo. 5G não é um bicho de sete cabeças. Trata-se apenas de um projeto de infraestrutura como outro qualquer. A implantação num território de aparelhos e células de transmissão e comunicação com um software adequado para que tudo funcione direitinho. É essencial não confundir a 5G com todas as aplicações que vão bombar utilizando essa rede.

Poucas empresas dominam a tecnologia 5G

A questão hoje, é que no mundo inteiro, só quatro companhias dominam essa tecnologia: duas chinesas – Huawei e ZTE – uma finlandesa – Nokia – e uma sueca – Ericsson. E a Huawei está muito na frente, com produtos bem mais baratos.

Donald Trump levantou uma lebre e tanto: será que é aceitável que a principal infraestrutura do futuro esteja nas mãos de uma empresa chinesa, submetida ao poder do Partido Comunista da China? Seria como entregar todos os segredos e o funcionamento das sociedades do planeta para a bisbilhotice e às possíveis chantagens dos serviços secretos de Pequim. É muito prato cheio só para o governo chinês.

A corrida tecnológica virou guerra. Os Estados Unidos decidiram boicotar a Huawei e a ZTE e estão torcendo o braço dos outros países do mundo para que não utilizem os serviços dessas duas firmas. Do outro lado, Pequim se lançou numa ofensiva para vender a 5G chinesa a preço de banana para o resto do planeta.

O problema é que as alternativas, Ericsson e Nokia ou pouquíssimas empresas americanas, ainda não têm preços e volume suficiente. Até na Europa, alguns países – inclusive o grande aliado britânico – estão a fim de aceitar o equipamento chinês para não perder o trem da história. (Na Romênia, os novos serviços da telecom francesa já utilizam a infraestrutura da Huawei). O argumento é que existem soluções tecnológicas para proteger a infra 5G das intrusões chinesas.

Mas é claro também que sempre haverá respostas tecnológicas para passar por cima. Essa guerra de redes entre os Estados Unidos e a China é portanto um baita problema para o resto do planeta. É óbvio que infraestrutura é coisa muito importante. Porém, mais importante ainda, será a enxurrada de aplicações que vão usar a 5G para criar um mundo novo.

Quem escolher a Huawei para ir mais depressa pode acabar tendo que enfrentar a ira de Washington e, ainda por cima aceitar uma forte dependência com relação a Pequim. Mas quem esperar para ver, pode perder o bonde. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

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