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Hong Kong/Eleição

Vitória esmagadora de pró-democratas aumenta incertezas em Hong Kong

Apuração dos votos das eleições do conselho local de Hong Kong, nesse domingo 24 de novembro de 2019.
Apuração dos votos das eleições do conselho local de Hong Kong, nesse domingo 24 de novembro de 2019. REUTERS/Adnan Abidi

O movimento pró-democracia impôs uma estrondosa derrota ao governo de Hong Kong alinhado com Pequim nas eleições locais desse domingo (24). A oposição conquistou a maioria das vagas em 17 dos 18 subdistritos do território semiautônomo chinês. Apesar da chefe do Executivo local, Carrie Lam, ter prometido nesta segunda-feira (25) "ouvir humildemente" os eleitores, o resultado também aprofunda as incertezas em Hong Kong, após cinco meses de uma crise política sem precedentes.

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A extensão do revés sofrido pelos candidatos pró-Pequim surpreendeu e soa como um alerta para as autoridades chinesas que, no entanto, garantiram que continuam a apoiar a chefe do Executivo, após a derrota eleitoral. Em seu comunicado, Carrie Lam não deu detalhes de como pretende ouvir as opiniões dos cidadãos.

A oposição não perdeu tempo e pediu ao governo o cumprimento das cinco reivindicações do movimento, incluindo a adoção de eleições diretas para escolher o chefe do Executivo da megalópole de 7,5 milhões de habitantes, e uma investigação sobre a atuação da polícia nos protestos.

"Os eleitores usaram a maneira mais pacífica de dizer ao governo que não aceitam que Hong Kong se torne um Estado policial e um regime autoritário", declarou Wu Chi-wai, presidente do Partido Democrata, o maior da oposição.

Grande participação

A eleição dos 452 conselheiros distritais, que lidam com questões como manejo do lixo e rotas de ônibus, geralmente desperta pouco interesse. Mas nesse domingo, a taxa de participação atingiu 71%, contra 47% em 2015. De acordo com a imprensa, os candidatos pró-democracia conquistaram 388 cadeiras, um ganho excepcional de 263 vagas na comparação com as eleições anteriores.

O resultado foi "nada menos que uma revolução", declarou à AFP Willy Lam, analista político da ex-colônia britânica. "É uma profunda rejeição da administração local e da política de Pequim em relação a Hong Kong". Segundo ele, os resultados podem acelerar a saída da chefe do Executivo, mas também agravar a crise. "Os manifestantes vão considerar esta incrível vitória como um mandato concedido pelo povo, para que lutem ainda mais. Mas, ao mesmo tempo, não haverá concessões de Pequim, o que deve fazer a frustração crescer".

A mobilização contra a ingerência de Pequim começou em junho contra um projeto de lei autorizando as extradições de cidadãos de Hong Kong para a China continental. O texto foi retirado em setembro, mas desde então as reivindicações aumentaram e os confrontos entre a polícia e os manifestantes se tornaram cada vez mais violentos.

(Com informações da AFP)

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