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Iraque/ Manifestações

Iraque: chegada de pró-iranianos na praça Tahrir preocupa manifestantes em Bagdá

Manifestação na praça Tahrir em Bagdá, em 28 de outubro de 2019.
Manifestação na praça Tahrir em Bagdá, em 28 de outubro de 2019. AFP

A campanha de intimidação intensificou-se nesta quinta-feira (5) no Iraque com a presença de milhares de apoiadores de paramilitares pró-iranianos na Praça Tahrir, em Bagdá, causando preocupação entre os manifestantes que há dois meses contestam o governo iraquiano e a influência iraniana na política interna.

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Em 1º de outubro, estourou o primeiro movimento de protesto espontâneo no Iraque depois de décadas. Desde então, quase 430 pessoas foram mortas, a maioria manifestantes, e cerca de 20.000 ficaram feridas, segundo um relatório compilado pela AFP a partir de fontes médicas e policiais.

Na quinta-feira, apoiadores de Hachd al-Shaabi, uma coalizão paramilitar dominada por grupos pró-Irã e agora parte do Estado iraquiano, desembarcaram na Praça Tahrir em meio aos olhares desconcertados de manifestantes contra o governo.

Eles empunhavam paus, bandeiras iraquianas, bandeiras de seus movimentos e retratos de combatentes mortos, além de imagens do grande aiatolá Ali Sistani, figura tutelar da política iraquiana, por apelo de quem o primeiro-ministro Adel Abdel Mahdi renunciou na semana passada.

Eles também exibiram faixas contra o partido Baas, do presidente iraquiano Saddam Hussein, que foi derrubado em 2003 após a invasão dos EUA e, em seguida, julgado e executado. Eles entoaram slogans hostis aos Estados Unidos, ainda influentes no Iraque, e à Arábia Saudita, rival regional sunita do Irã xiita.

À tarde, apenas algumas dezenas de apoiadores dos paramilitares permaneceram visíveis na praça.

Desaparecidos da Praça Tahrir

Há dois meses, os manifestantes reclamam de interferências estrangeiras, principalmente do Irã, cujo enviado, o general Qassem Soleimani, está atualmente negociando a formação de um governo em Bagdá que preserve os interesses do grande vizinho do Irã.

O Parlamento concedeu ao presidente Barham Saleh 15 dias para nomear um novo chefe de governo, enquanto os protestos pedem a saída de toda a classe política dominante, considerada corrupta e incompetente.

Na praça Tahrir, os manifestantes questionam as intenções dos apoiadores do Hachd al-Shaabi após o chamado de certas facções dessa coalizão para "desalojar sabotadores" infiltrados de acordo com eles nas manifestações. A polícia está posicionada nas ruas e nas pontes adjacentes, onde ocorrem confrontos, mas não diretamente ao redor da praça.

Para Harith Hasan, especialista no Iraque, "poderia ser o começo de uma competição ou um conflito pela ocupação do espaço público".

"Uma nova tática para esvaziar (os lugares) ou reduzir o espaço disponível para os manifestantes", acrescenta o cientista político Toby Dodge.

Além das centenas de mortes no protesto, dezenas de manifestantes foram sequestrados mais ou menos brevemente, muitas vezes por homens de uniforme que o Estado afirma não conseguir identificar. Pelo menos quatro deles ainda estão desaparecidos, de acordo com a Human Rights Watch.

Morta por distribuir comida

Ali Salmane, pai de Zahra Ali, uma manifestante de 19 anos que distribuía comida para milhares de iraquianos acampados na Praça Tahrir, disse que encontrou o corpo da filha na segunda-feira à noite. "O legista disse que ela sofreu choques elétricos. Nós distribuíamos juntos comida e bebida para os manifestantes em Tahrir e nunca fomos ameaçados, mas as pessoas nos fotografaram".

No sul, onde os bloqueios e greves continuam, as manifestações ganharam amplitude, com parentes de vítimas da repressão se juntando às marchas para buscar justiça.

Em Diwaniya, milhares de manifestantes se reuniram enquanto um tribunal deve emitir seu veredito após denúncias contra oficiais e policiais.

Parentes de vítimas acusaram o tribunal por "homicídio com premeditação", como Assaad Malak, irmão de um manifestante morto no início de outubro. "O Estado está claramente arrastando as coisas para fora", acusa, implorando por "penas mais severas". No domingo, outro tribunal sentenciou um policial pela primeira vez pela morte de manifestantes.

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