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Austrália/ Incêndios

Incêndios na Austrália geram críticas a primeiro-ministro negacionista climático

Incêndios na Austrália, a 100 quilômetros ao norte de Sydney, em 7 de dezembro de 2019.
Incêndios na Austrália, a 100 quilômetros ao norte de Sydney, em 7 de dezembro de 2019. SAEED KHAN / AFP

O primeiro-ministro australiano Scott Morrison, que defende o setor do carvão, é criticado pela má gestão dos incêndios e por não ter políticas claras para o meio ambiente. A Austrália vive uma das piores temporadas de queimadas dos últimos tempos.

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A fumaça dos incêndios cobre o céu de Sydney. A emblemática ponte da cidade está coberta. Imagens de cangurus e coalas queimados circulam na internet. Desde setembro, a Austrália tenta conter incêndios, que já alcançaram quase todos os estados do país.

Para agravar a situação, o primeiro-ministro conservador australiano, Scott Morrison, vem sendo criticado por ter administrado mal a crise provocada pelos incêndios no país e por sua inércia sobre a crise climática.

Morrison defendeu na manhã desta segunda-feira (23) a indústria do carvão. Ele afirmou que seria irresponsável virar as costas para esse setor. A Austrália produz um terço do carvão consumido no mundo. Em entrevista à tevê australiana, o premiê também afirmou que não se comprometeria com objetivos de redução de emissões que considera irresponsáveis.

David Camroux, pesquisador do Centro de Pesquisas Internacionais da Sciences Po, explica, em entrevista à RFI, que foi o setor do carvão que elegeu Morrison nas eleições de maio deste ano. “Infelizmente com o sistema eleitoral existente, os votos da parte mineira do país, o estado de Queensland, pesaram no resultado final das eleições, a favor dos conservadores”, diz o especialista. “Infelizmente o lobby das companhias mineradoras é tão forte que até agora impediu a existência de políticas contra as mudanças climáticas que estejam à altura do problema”, afirma.

Crise climática

Como observa o especialista australiano Camroux, as queimadas são uma consequência da seca, “mas tudo é aumentado pelas mudanças climáticas.” A Austrália enfrenta um aumento recorde das temperaturas nos últimos dias, mesmo antes da chegada do verão no hemisfério sul. Em algumas localidades, os termômetros chegaram a marcar 49 graus.

Segundo o Painel Internacional para Mudanças climáticas da ONU (IPCC), formado por cientistas de todo o mundo, com temperaturas mais quentes, as secas vão aumentar e, como consequência, as queimadas.

O primeiro-ministro conservador é negacionista climático, seguindo a mesma posição do presidente norte-americano Donald Trump. A Austrália é o segundo país em emissões de gases do efeito estufa, por habitante. Emissões provenientes em grande parte da indústria mineradora.

Polarização

Segundo o especialista, a Austrália vive uma polarização entre gerações. “Segundo pesquisas, três quartos dos australianos entre 18 e 44 anos consideram que a crise climática é a maior ameaça para a Austrália, enquanto entre os com mais de 44 anos, este número cai para um quarto”, afirma.

O fato de ter uma fonte de energia fóssil abundante levou o país a escolher o carvão e deixar de lado as matrizes renováveis, considera especialista. Além disso, em um país com dimensões continentais, há poucos investimentos em transportes públicos e a população depende do carro para se deslocar. “Estas políticas têm consequências atualmente”, afirma Camroux.

Mas, para o especialista, a preocupação entre as novas gerações de eleitores deve levar a maioria dos estados a investir em energias renováveis e a mudar esta tendência. “Os australianos estão tomando iniciativas. Os painéis solares estão aparecendo em vários locais e casas”, afirma. “Eu acho que nas próximas eleições, em alguns anos, vamos ver as consequências disso”, conclui o especialista.

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