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Israel/ Primárias

Guideon Saar: um adversário à altura do premiê israelense Netanyahu nas primárias do Likud?

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, enfrentará as primárias do seu partido, o Likud, nesta quinta-feira (26).
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, enfrentará as primárias do seu partido, o Likud, nesta quinta-feira (26). REUTERS/Ronen Zvulun

O futuro do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, enfraquecido depois de enfrentar duas eleições em menos de um ano, pode ser decidido nesta quinta-feira (26) nas primárias do partido governista Likud. Netanyahu não conseguiu formar um governo depois das eleições em abril e em setembro.

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Correspondente da RFI Brasil em Tel-Aviv

Pela primeira vez depois de uma década de poder, associados e apoiadores do Likud demonstram certa desconfiança e impaciência com os fracassos de Netanyahu, que antes era visto como invencível.

Além disso, o primeiro-ministro foi recentemente indiciado por corrupção e, mesmo que não tenha obrigação de renunciar, sua popularidade está em queda.

Nas primárias do Likud, os cerca de 120 mil membros registrados do partido vão escolher a lista de candidatos para as próximas eleições. O primeiro colocado será o candidato a primeiro-ministro.

Troca-troca na liderança

Netanyahu é o favorito, mas é possível que os votantes decidam por um troca-troca na liderança do partido conservador, que domina a política local há meio século, substituindo Netanyahu, o premiê com mais tempo no cargo na história de Israel.  Afinal, o Likud precisa vencer as próximas eleições, em março de 2020, para continuar no poder.

O rival de Netanyahu é o parlamentar Guideon Saar, um ex-aliado no passado e atual desafeto do primeiro-ministro, que há anos ensaia sua subida ao poder. Saar tem o apoio de parte dos parlamentares do Likud, além de alguns prefeitos e afiliados do partido. Esse é um feito quase inédito dentro do Likud, um partido que costuma reverenciar, pelo menos publicamente, seus líderes.

Depois que Netanyahu, aos 70 anos, não conseguiu por duas vezes montar um novo governo, pode ter chegado a hora de Saar, de 52 anos, representar uma nova geração.

Mas analistas não acreditam que Saar consiga convencer a maioria dos eleitores do Likud, que ainda demonstram lealdade a Netanyahu. Principalmente depois que o premiê saiu em campanha-relâmpago pelo país.

Aliás, nesta quarta-feira (25), Netanyahu estava fazendo um discurso na cidade de Ashkelon quando teve que ser retirado às pressas do local, depois que um foguete da Faixa de Gaza foi disparado contra a cidade. O disparo, que foi interceptado ainda no ar pelo sistema antiaéreo Domo de Ferro, foi realizado justamente para atrapalhar o discurso.

Um adversário de peso?

O adversário Guideon Saar não é muito conhecido no exterior, mas é bem popular dentro de Israel. Ele foi ministro do Interior e da Educação, e há alguns anos diz que pretende concorrer pela liderança do Likud. Sério, conservador e direto, Saar, que é advogado e jornalista, certamente não tem o carisma de Netanyahu, mas é tido como muito capaz e inteligente.

Ele é um nacionalista. Pelo menos no passado se dizia contrário à criação de um Estado palestino, mas suas posições quanto a isso são menos claras, hoje.

Para tentar conquistar mais votos de apoiadores de Netanyahu, para os quais a candidatura de Saar é nada menos do que uma traição à tradição do Likud de lealdade ao líder, ele prometeu que, se eleito, vai promover o nome de Netanyahu para ser o próximo presidente de Israel.

Em Israel, a presidência é um cargo apolítico. É mais protocolar, mas é bastante honrado. O ex-primeiro-ministro Shimon Peres, por exemplo, terminou sua carreira política também como presidente.

Instabilidade política

As primárias acontecem dois meses antes de mais uma eleição geral em Israel. Pela primeira vez na história do país, os israelenses vão às urnas pela terceira vez em menos de um ano. Houve eleições em 9 de abril e de novo em 17 de setembro. Como o resultado de nenhuma das duas foi claro, os eleitores vão votar novamente no próximo dia 2 de março.

Em abril e setembro, o Likud empatou, na prática, com o partido novato Azul e Branco, de centro-esquerda. Mas nem Netanyahu e nem o líder do Azul e Branco, o ex-general Benny Gantz, conseguiram formar governos após os pleitos. Não conseguiram atrair um mínimo de 61 parlamentares para criar uma coalizão viável.

Na prática, Israel está em um impasse político que se reflete economica e socialmente. Os apoiadores de Guideon Saar acreditam que, com uma mudança na liderança do Likud, o bloco de partidos de direita talvez consiga superar o de esquerda. Mas isso não é claro. Israel pode voltar a ter um governo de centro-esquerda por causa das brigas internas no Likud.

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