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Israel/ Primárias

Israel: Netanyahu é reconduzido à liderança do Likud sem dificuldades

O vitorioso Benyamin Netanyahu e seu adversário Gideon Saar: eleição sem grandes surpresas.
O vitorioso Benyamin Netanyahu e seu adversário Gideon Saar: eleição sem grandes surpresas. GALI TIBBON / AFP

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, apesar das acusações de corrupção e contestado internamente pela primeira vez em uma década, foi confortavelmente reeleito como chefe do seu partido de direita, o Likud, que irá novamente liderar as eleições legislativas de março.

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Eram mesmo improváveis as chances do ex-ministro Gideon Saar contra Netanyahu, à frente do Likud desde 1993 – salvo os seis anos em que o partido foi liderado por Ariel Sharon. Resultados pelo menos ligeiramente mais acirrados talvez ao menos abalassem um pouco o primeiro-ministro mais antigo da história de Israel - mais de 13 anos, dez dos quais interruptos. O resultado final, comunicado na madrugada de quinta (26) para sexta-feira (27), não deixou muito suspense no ar: 72,5% dos votos para o chefe de governo, contra 27,5% para seu rival.

"Uma grande vitória! Obrigado aos membros do Likud por sua confiança, apoio e carinho", reagiu no Twitter Benjamin Netanyahu, logo após a meia-noite, uma hora após o final da contagem de votos. Cerca de 57 mil membros do partido votaram nesta primária, uma participação um pouco inferior a 50%.

"Com a ajuda Deus e de todos, levarei o Likud a uma grande vitória nas próximas eleições, e continuaremos levando o Estado de Israel a sucessos sem precedentes", disse Netanyahu, de 70 anos.

Ainda que a mídia israelense já previsse a vitória de Netanyahu, isso não impediu a imensa repercussão nos jornais. "Netanyahu, ótimo momento", escreveu o maior diário do país, o Yediot Aharonot, enquanto a rádio pública KAN falava de "uma vitória esmagadora".

Já o jornal de esquerda Haaretz atribuiu a vitória do primeiro-ministro à "lealdade tribal" de seus apoiadores. “Benjamin Netanyahu liderou o partido nos últimos 14 anos consecutivos e por duas décadas no total. Os membros mais jovens do Likud nunca conheceram o partido sem Netanyahu à frente", observou a publicação.

Assuma riscos

Gideon Saar assumiu a derrota e parabenizou o chefe de governo. "Estou satisfeito com minha decisão de me levantar contra ele”, escreveu no Twitter. "Quem não quer correr riscos nunca vencerá."

"Parabéns ao primeiro-ministro (...). Meus colegas e eu estaremos atrás dele durante a campanha para garantir a vitória do Likud", acrescentou, referindo-se às eleições legislativas de 2 de março.

A eleição foi demandada por Saar após a acusação de Netanyahu no mês passado por corrupção, quebra de confiança e fraude em três casos. Netanyahu alegou "acusações falsas por motivação política", após o anúncio das acusações.

"Seu trabalho estava em jogo e ele lutou", afirma o cientista político Stephan Millier, que avalia que Netanyahu teria empreendido uma campanha particularmente intensa para não deixar chance ao oponente.

Uma vitória nas primárias foi um passo crucial para o chefe de governo, que deve permanecer no cargo mesmo após ser acusado: a lei israelense determina que qualquer ministro que seja processado deve renunciar, mas isso não se aplica ao primeiro-ministro.

Vimos ele realizar muitas reuniões públicas em dias diferentes em diversas cidades. Na última quinta-feira (26), ele apareceu ao vivo no Facebook, convocando os membros do partido por telefone a votarem.

Impasse político

Netanyahu agora tem a pesada tarefa de liderar a campanha do Likud para as terceiras eleições legislativas em menos de um ano. Após as primeiras eleições, de abril e setembro, nem Netanyahu nem o centrista Benny Gantz, do partido Azul e Branco, conseguiram reunir 61 deputados, limiar da maioria parlamentar para formar um governo.

O presidente Reuven Rivlin teve que confiar essa tarefa ao próprio Parlamento, que também não teve êxito, precipitando o país para mais uma votação. Para tirar o país do impasse, os deputados terão que mudar de lado para se unirem ao de Gantz ou ao de Netanyahu. A menos que os dois rivais se unam.

Mas o partido Azul e Branco se recusa a compartilhar o poder com um primeiro-ministro acusado. Diante de Netanyahu, o ex-chefe do exército Benny Gantz joga a carta da probidade.

Gayil Talshir, professor de ciência política da Universidade Hebraica de Jerusalém, disse que essa vitória primária poderia encorajar Netanyahu em sua cruzada contra sua acusação. "A questão toda para Netanyahu é garantir imunidade e, para isso, ele precisa de 61 votos no Parlamento, a maioria que permite formar o governo”, acrescentou.

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