Acessar o conteúdo principal
Iraque/ Protestos

Manifestações no Iraque param campo de petróleo

Manifestantes iraquianos nas ruas de Bagdá após a morte de vários manifestantes. Bagdá, 7 de dezembro de 2019.
Manifestantes iraquianos nas ruas de Bagdá após a morte de vários manifestantes. Bagdá, 7 de dezembro de 2019. SABAH ARAR / AFP

Centenas de iraquianos bloquearam neste domingo (29), pelo segundo dia consecutivo, o acesso a um campo de petróleo no sul do país, região em que várias cidades permanecem paralisadas por um movimento de protesto iniciado há três meses.

Publicidade

O campo de Nassiriya, a 300 quilômetros ao sul de Bagdá, que produz 82 mil barris por dia, está fechado por manifestantes que exigem empregos. Esta é a primeira interrupção no fluxo de petróleo no Iraque, o segundo maior produtor da OPEP, desde o início, em 1º de outubro, de uma revolta inédita contra o governo, acusado de corrupção e incompetência.

As administrações públicas e escolas foram fechadas na maioria das cidades no sul do Iraque por quase dois meses sem interrupção. Os manifestantes em Diwaniya anunciam uma nova "greve geral" para pressionar as autoridades durante a crise.

Sob a pressão das ruas, o primeiro-ministro Adel Abdel Mahdi renunciou no final de novembro, e as autoridades continuam incapazes de chegar a um acordo em relação ao nome do futuro chefe de governo.

Ameaça de renúncia

Na quinta-feira (26), o presidente da República, Barham Saleh, ameaçou renunciar ao invés de propor ao governo o nome do candidato desejado pelas autoridades iraquianas perto do Irã, o vizinho poderoso que está constantemente ganhando influência no país.

Ainda que o Parlamento tenha acabado de votar a reforma eleitoral, não há nada que indique que as eleições antecipadas exigidas por tantos serão organizadas em breve.

Saleh "cortou as breves tentativas de partidos e milícias para matar a revolução e proteger seus interesses", disse Osama Ali, estudante que protesta em Nassiriya. "Isso nos encoraja a continuar nosso movimento pacífico até termos todas as nossas demandas atendidas".

Os manifestantes pedem o fim da corrupção que, em 16 anos, devastou o PIB do Iraque, e do sistema político de distribuição de empregos em função de etnias e religiões.

Sequestros e assassinatos

Manifestações também paralisam as cidades de Kout, Hilla, Amara e a cidade sagrada de Najaf neste domingo. A revolta também é marcada pela violência que já deixou quase 460 mortos e 25 mil feridos, a maioria manifestantes, desde 1º de outubro.

Se por um lado a violência parece ter diminuído recentemente de intensidade, por outro, a Comissão de Direitos Humanos afirma ainda não ter notícias de 56 ativistas. E, de acordo com a ONU, estaria acontecendo uma vasta onda de sequestros e assassinatos de manifestantes e contestadores.

Vários ativistas já foram assassinados, geralmente mortos a tiros, nas ruas ou em frente às suas casas. E dezenas de outros manifestantes dizem terem sido sequestrados e levados para uma área agrícola perto de Bagdá, por várias horas ou mesmo dias, antes de serem abandonados na beira da estrada.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.