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Iraque/EUA

Secretário de Estado dos EUA adia giro internacional após ataque à embaixada em Bagdá

As forças americanas posicionadas no teto da embaixada dos Estados Unidos em Bagdá nesta quarta-feira, 1° de janeiro de 2020
As forças americanas posicionadas no teto da embaixada dos Estados Unidos em Bagdá nesta quarta-feira, 1° de janeiro de 2020 AHMAD AL-RUBAYE / AFP

Os manifestantes iraquianos pró-iranianos deixaram nesta quarta-feira (1°) a área em torno da embaixada dos Estados Unidos em Bagdá, sob as ordens dos poderosos paramilitares do Hashd al Shaabi, pondo fim a um episódio de violência que culminou em um ataque sem precedentes à sede diplomática americana. O episódio levou o secretário de Estado dos EUA a adiar um giro internacional, que começaria pela Ucrânia na próxima sexta-feira (03).

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A escalada verbal entre o Irã e os Estados Unidos, países inimigos, mas com poderes de atuação no Iraque, no entanto, prosseguiu. O presidente Donald Trump ameaçou fazer o Irã pagar um "alto preço" por ter "orquestrado" o ataque à embaixada na terça-feira (31). Já os líderes iranianos alertaram que responderão a qualquer ameaça feita a seu país.

O secretário de Estado, Mike Pompeo, adiou um giro internacional pela Ucrânia, Bielorrússia, Cazaquistão, Uzbequistão e Chipre, devido aos incidentes.

Fim da invasão

Afirmando que "a mensagem dos manifestantes foi ouvida", a Hashd al Shaabi, uma coalizão de facções armadas, determinou que seus combatentes e apoiadores levassem sua manifestação para fora da Zona Verde de Bagdá, onde está sediada embaixada americana.

Imediatamente, os manifestantes desmontaram as tendas armadas no dia anterior para uma manifestação que prometia ser por tempo indeterminado. A invasão da chancelaria pretendia denunciar os ataques americanos contra as bases da Hashd, que deixaram 25 mortos no domingo (29).

Centenas de manifestantes abandonaram o local aos gritos "Nós os queimamos". "Tivemos um grande sucesso: chegamos à embaixada americana quando ninguém havia feito isso antes e agora a bola está no campo do Parlamento", disse Ahmed Mohieddine, porta-voz das brigadas do Hezbollah, alvo dos ataques americanos.

Após a violência que lembrou o fantasma de dois traumas envolvendo embaixadas dos Estados Unidos - em Teerã, em 1979, e em Benghazi, na Líbia, em 2012 - oficiais iraquianos pró-iranianos estão trabalhando para coletar assinaturas no Parlamento visando denunciar o acordo entre Iraque e EUA, que autoriza a presença de 5,2 mil soldados americanos em solo iraquiano.

Influência do Al Shaabi

A Hashd al Shaabi ganhou influência ao ser integrado às forças regulares, após sua luta ao lado do poder contra os jihadistas.

Na terça-feira, os manifestantes quebraram janelas e invadiram as instalações de segurança da embaixada. Em nenhum momento as forças iraquianas que guardavam as entradas da Zona Verde intervieram. Às portas da embaixada, tentaram parar a violência, mas sem sucesso.

"Perdemos toda a autoridade diante do Hashd", lamentou um membro das forças especiais iraquianas responsáveis pela proteção da Zona Verde. As forças de segurança da embaixada americana dispararam gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes, que conseguiram içar, na entrada principal do complexo, um enorme cartaz com os dizeres "Direção da Hashd al Shaabi ".

“Você não pode fazer nada”

Os ataques americanos foram lançados em resposta ao disparo de um foguete que matou um empreiteiro americano na sexta-feira (27) em uma base militar no norte do Iraque. Washington acusou as brigadas do Hezbollah pelo incidente.

A invasão da embaixada, os ataques americanos e os lançamentos de foguetes criam um clima de apreensão de que a hostilidade iraniana-americana se transforme em conflito aberto no Iraque.

Teerã convocou o encarregado para Assuntos Estrangeiros suíço, que representa o Irã no Iraque, para protestar contra o "agressor" americano. O líder supremo Ali Khamenei afirmou, dirigindo-se ao presidente Donald Trump: "Você não pode fazer nada. Isso tudo não tem nada a ver com o Irã".

Washington enviou 750 tropas adicionais ao Oriente Médio para provavelmente, depois serem enviadas ao Iraque, segundo uma autoridade americana. Desde sua saída do país em 2011, após oito anos de ocupação, os Estados Unidos perderam sua influência na região.

As pichações deixadas nas paredes da embaixada americana testemunham: "Não à América" e "Soleimani é meu líder", em referência ao poderoso general iraniano Qassem Soleimani.

O país é abalado desde 1º de outubro por uma revolta popular que conspira contra o poder, acusado de corrupção, sob a influência do vizinho iraniano. As tensões iraniano-americanas parecem ofuscar esse protesto, mas os manifestantes contrários ao governo disseram estar determinados a continuar sua mobilização.

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