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Turquia/ Líbia

Parlamento turco aprova moção que autoriza envio de tropas à Líbia

O presidente turco Recep Tayyip Erdogan.
O presidente turco Recep Tayyip Erdogan. REUTERS/Denis Balibouse

Os deputados turcos aprovaram uma moção nesta quinta-feira (02) permitindo que o presidente Recep Tayyip Erdogan envie soldados para a Líbia, para apoiar o governo de Trípoli. A medida pode piorar o conflito que vem destruindo o país.

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Durante uma sessão parlamentar extraordinária, 325 deputados votaram a favor e 184 contra a proposta, que confere ao exército turco um mandato para intervir na Líbia, válido por um ano, de acordo com o presidente da Assembleia Nacional turca, Mustafa Sentop.

Resta saber agora se o presidente Erdogan enviará tropas para este país separado da Turquia pelo Mediterrâneo ou se o apoio militar assumirá outra forma, como o envio de "conselheiros".

O governo turco alega agir em resposta a um pedido de ajuda do Governo da Unidade Nacional (GNA) de Fayez al-Sarraj, para confrontar uma ofensiva do homem forte do leste da Líbia, o marechal Khalifa Haftar, que tenta tomar Trípoli.

Enviar tropas turcas para a Líbia agravaria os conflitos que dividiram o país desde a queda do regime de Muammar Kadafi, em 2011, alimentado por potências regionais.

O fato é que a Líbia se tornou o cenário de uma luta internacional pelo poder: de um lado, a Turquia e o Catar apoiam o GNA, reconhecido pela ONU; do outro, a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Egito apoiam o grupo de Haftar.

A votação do parlamento turco nesta quinta-feira faz parte de uma aproximação entre Ancara e o GNA, ilustrada por um pacto de cooperação militar e de segurança e um controverso acordo de delimitação marítima, concluído no final de novembro entre Erdogan e Sarraj.

A adoção da moção "é um passo importante para garantir a paz e a estabilidade na Líbia e defender nossos interesses no norte da África e no Mediterrâneo", disse o porta-voz de Erdogan, Ibrahim Kalin, após a votação.

A votação do parlamento turco nesta quinta-feira faz parte de uma aproximação entre Ancara e o GNA, ilustrada por um pacto de cooperação militar e de segurança e um controverso acordo de delimitação marítima, concluído no final de novembro entre Erdogan e Sarraj.

Exército "pronto"

O vice-presidente turco, Fuat Oktay, disse na quarta-feira (1°) que os militares do seu país estariam "prontos", mas enfatizou que a natureza e a extensão do destacamento serão determinadas por "desenvolvimentos no solo".

Oktay acrescentou que Ancara espera que a adoção do texto nesta quinta-feira tenha um efeito dissuasor. "Após a votação, se o outro lado (pró-Haftar) mudar de atitude e disser ‘Estamos saindo, paramos a ofensiva’, então, por que ir?", disse ele.

Os principais partidos de oposição votaram contra o texto, argumentando que uma intervenção na Líbia poderia desestabilizar a região e arrastar a Turquia, que perdeu dezenas de soldados na Síria, para um novo atoleiro.

A votação no parlamento turco estava originalmente prevista para a próxima semana, mas o governo decidiu antecipa-la devido às dificuldades encontradas pelo GNA em Trípoli, onde a ofensiva das forças pró-Haftar se intensificou.

O Cairo, que apoia Haftar "firmemente", condenou a votação no parlamento turco, dizendo que a intervenção "teria um impacto negativo na estabilidade do Mediterrâneo".

Busca por hidrocarbonetos

Além das dificuldades inerentes ao envio de tropas a um país com que não faz fronteira - ao contrário da Síria, onde Ancara atualmente opera -, um destacamento na Líbia seria acompanhado por um risco de atrito com a Rússia.

Mesmo que Moscou negue, o enviado da ONU à Líbia, Ghassan Salamé, e o presidente Erdogan afirmam que mercenários russos estão ao lado das forças de Haftar, na ofensiva contra Trípoli desde abril.

O presidente Vladimir Putin deve viajar à Turquia na quarta-feira (08) para inaugurar um gasoduto com seu colega turco, uma oportunidade para os dois líderes discutirem a questão da Líbia.

O apoio da Turquia a Sarraj faz parte da crescente afirmação de Ancara no leste do Mediterrâneo, palco de uma corrida para perfurar poços de hidrocarbonetos, com a descoberta de depósitos significativos nos últimos anos.

Devido ao acordo marítimo concluído em novembro, que amplia consideravelmente sua plataforma continental, a Turquia precisa mais do que nunca do GNA para enfatizar suas reivindicações no Mediterrâneo oriental, onde vários países como Grécia, Chipre e Egito fazem frente às iniciativas turcas.

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