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“Falar em 3ª guerra mundial é exagero”, diz analista sobre o Irã

Áudio 07:10
Manifestantes protestam em Teerã contra o assassinato do general Qasem Soleimani pelos Estados Unidos.
Manifestantes protestam em Teerã contra o assassinato do general Qasem Soleimani pelos Estados Unidos. /Nazanin Tabatabaee via REUTERS

A morte do chefe da Guarda Revolucionária do Irã, general Qasem Soleimani, em um ataque autorizado pelos Estados Unidos no Iraque nesta quinta-feira (2) gera uma situação imprevisível no Oriente Médio. Soleimani era um dos homens mais poderosos do país. Apesar da escalada de tensões que a morte provoca, evocar a possibilidade de uma “terceira guerra mundial parece um tanto exagerado”, na opinião do professor de Relações Internacionais da Universidade Anhembi Morumbi Jorge Mortean, especializado no Irã.

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“O problema que se gera ali é totalmente regional”, frisa o consultor em Oriente Médio. “Estados Unidos e Irã já devem estar conversando desde o ataque e acho que não haverá uma solução militar nesse caso. O Irã não tem essa potência toda que clama em termos militares. E a Guarda Revolucionaria até entraria em um combate, mas seria mais num viés de defesa, e não de ataque.”

Qasem Soleimani, em foto de 1° de outubro de 2019, em Teerã.
Qasem Soleimani, em foto de 1° de outubro de 2019, em Teerã. AFP Photos/Khamenei.IR via Handout

Apesar do grande contingente das forças armadas de Teerã, os equipamentos militares do país se encontram defasados por conta das sanções internacionais. As restrições incluem impedir a compra de armamentos de boa parte do mundo, desde a Revolução Islâmica, em 1979.

“Traição” de americanos

Ele lembra que Soleimani foi um general que, nos bastidores, ajudou os Estados Unidos na reconstrução do Iraque pós-Saddam Hussein. “Apesar de não terem relações diplomáticas desde 1980, interesses regionais de americanos e iranianos levaram a essa cooperação. Agora, Washington rompe essa aliança de background e matam principal líder de forças especiais de atuação em conflitos”, observa o especialista.

Mortean morou três anos no Irã, onde concluiu um mestrado. Ele avalia que a prioridade agora para Teerã é determinar como os americanos conseguiram concretizar esse bombardeio, em pleno aeroporto internacional de Bagdá. “Eles costumam dizer que ‘resistir’ é um verbo iraniano. É um país que, nos seus 4 mil anos de história, foi invadido 88 vezes, se adaptou a isso e conseguiu expulsar todos os 88 invasores.”

Jorge Mortean, professor de Relações Internacionais da Universidade Anhembi Morumbi e especializado no Irã.
Jorge Mortean, professor de Relações Internacionais da Universidade Anhembi Morumbi e especializado no Irã. Arquivo pessoal/ RFI

Brasil ganha mais se ficar calado

Para o especialista, o histórico de conflitos iranianos indica que o contra-ataque do país deve se dar por meio gerar prejuízos a parceiros econômicos norte-americanos no Oriente Médio. Neste contexto, pode ser arriscado para o Brasil adotar uma postura clara no conflito – que tenderia a ser pró-Washington.

“O Irã é um país superimportante na nossa história diplomática. Apesar de todas as reviravoltas políticas que tivemos aqui e lá, a nossa relação com os iranianos sempre foi pacífica”, destaca. “É um dos nossos grandes parceiros econômicos internacionais e um dos poucos do Oriente Médio que nos dá superávit comercial, graças às nossas exportações de frango, carne bovina, açúcar, milho, autopeças e outros produtos.”

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