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Linha Direta

Morte de general Soleimani coloca Israel em estado de alerta

Áudio 04:54
O nível de alerta das forças de segurança israelenses foi elevado após a morte do general iraniano, Qassim Soleimani.
O nível de alerta das forças de segurança israelenses foi elevado após a morte do general iraniano, Qassim Soleimani. AHMAD GHARABLI / AFP

A morte do general iraniano Qassim Soleimani em um ataque americano colocou em alerta as forças de segurança de Israel e os moradores do país. As autoridades iranianas ameaçam com represálias alvos americanos e israelenses.

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Correspondente da RFI em Israel

A morte do chefe militar iraniano Qassim Soleimani, que foi atingido por um drone americano na sexta-feira (3) passada, em Bagdá, no Iraque, é o assunto principal em Israel, neste momento. Desde a morte de Soleimani, analistas políticos e de segurança, pesquisadores e jornalistas tentam entender até que ponto o assassinato coloca em perigo o país e seus moradores.

Autoridades iranianas ameaçaram Israel diretamente no sábado (4), um dia depois do ataque. Um comandante da Guarda Revolucionária do Irã, afirmou que seu país poderá retaliar, atacando 35 alvos americanos no Oriente Médio, incluindo Tel Aviv.

Durante o funeral de Suleimani em Teerã nesta segunda-feira (6), a filha de Soleimani, Zainab, disse que Estados Unidos e Israel vão enfrentar um “dia de trevas” pela morte de seu pai, especialmente na Palestina. Ela afirmou ue que o presidente americano, Donald Trump, é “maluco” e um “brinquedo nas mãos de sionistas internacionais”.

O líder do grupo islâmico Hamas, Ismail Hanyieh, também esteve presente no funeral de Soleimani, chamando-o de “mártir de Jerusalém” por seu apoio a milícias pró-iranianas, como o Hamas.

População em alerta, mas não em pânico

Apesar das ameaças, o clima em Israel não é de pânico ou temor especial. As autoridades aumentaram o alerta de segurança no país e em representações diplomáticas pelo mundo e o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, convocou um reunião extraordinária de seu gabinete de segurança.

Mas, em um sinal de que o nível de temor não está muito alto, essa reunião foi adiada de ontem para hoje, terça-feira. Não há sinal de preparações especiais, como abertura de abrigos antiaéreos ou algo assim. E nem há comoção nas ruas do país.

Pode-se dizer que os israelenses estão acostumados com ameaças de morte ao país por líderes iranianos e já esperavam ser ameaçados.

Os gritos de “Morte a Israel” sempre acompanham os de “Morte aos Estados Unidos” em marchas e passeatas no Irã, muito antes da morte de Soleimani.

Israel, o maior aliado dos americanos no Oriente Médio ,é chamado, no Irã, de “Pequeno Satã”. Os Estados Unidos, claro, são o “Grande Satã”.

Prováveis retaliações

Isso não quer dizer que os israelenses não estejam de olho ou preocupados. Segundo relatório do Instutito Nacional de Estudos de Segurança (INSS, na sigla em inglês), as tensões entre Estados Unidos e Irã podem crescer em 2020. No entanto, os pesquisadores do instituto não acreditam que isso levará a uma guerra de grandes proporções ou a um ataque especificamente a Israel.

O maior temor é o de lançamento de mísseis balísticos, que podem atingir o país. O que Israel considera ser o cenário mais provável é o aumento do nível dos ataques por grupos pró-iranianos, como o Hamas, na Faixa de Gaza, e o Hezbollah, no Líbano.

Outro receio é o de que o Irã aumente o ritmo de seu programa nuclear e efetivamente produza armas nucleares, principalmente depois que Teerã anunciou não estar mais comprometido com o Acordo Nuclear de 2015. O país diz que não vai mais restringir o enriquecimento de urânio em suas centrifugas.

Mas nem isso surpreendeu Israel, que nunca acreditou no comprometimento do Irã ao acordo.

EUA alertaram Netanyahu?

Houve um boato de que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, foi alertado pelos americanos de que haveria um ataque a Soleimani. O suposto alerta teria sido dado pelo secretário de Estado americano, Mike Pompeo.

Os dois conversaram pelo telefone dois dias antes da morte de Soleimani, no contexto do ataque à embaixada americana no Iraque. Mas não há nenhuma indicação real de que houve um alerta antecipado.

Netanyahu estava na Grécia no dia do bombardeio contra o general para firmar um acordo comercial e decidiu antecipar sua volta a Israel por causa da morte de Soleimani. Isso indica que ele foi pego de surpresa.

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