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Linha Direta

UE tenta preservar acordo nuclear com Irã para evitar crise maior no Oriente Médio

Áudio 04:32
Reunião extraordinária dos ministros das Relações Exteriores da União Europeia sobre a crise entre os Estados Unidos e o Irã.
Reunião extraordinária dos ministros das Relações Exteriores da União Europeia sobre a crise entre os Estados Unidos e o Irã. Francisco Seco/Pool via Reuters/File Photo

Os ministros das Relações Exteriores da União Europeia se reúnem em caráter extraordinário, em Bruxelas, para discutir a crise no Irã, a espiral de violência no Iraque e as sérias consequências na região. O encontro acontece nesta sexta-feira (10), um dia depois da reunião no Conselho de Segurança da ONU, que debateu a mesma questão.

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Uma semana após o assassinato do general iraniano, Qasem Soleimani, no ataque ordenado pelos EUA em Bagdá e a apenas dois dias da operação de retaliação que lançou mísseis iranianos contra duas bases militares americanas no Iraque, a escalada de tensão na região é bastante crítica. Com a crescente hostilidade nas relações entre Washington e Teerã e o risco real de uma guerra, o encontro em Bruxelas é uma tentativa para equilibrar os ânimos no Oriente Médio.

A reunião foi convocada pelo Alto Representante da Política Externa do bloco europeu, Josep Borrell, que ligou pessoalmente para o ministro das Relações Exteriores iraniano, Mohammad Javad Zarif para convidá-lo para participar do debate com os chanceleres europeus. O convite contraria o governo americano que tem criticado a falta de apoio de Bruxelas no episódio da morte de Soleimani e a promessa de vingança do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei.

A União Europeia tem mostrado prudência e contenção sobre a crise no Irã, apesar das ameaças de Washington e Teerã em projetar um grave cenário em um prazo relativamente curto. Foram necessários três dias para que a nova presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, fizesse a primeira declaração sobre o ataque aéreo dos EUA que matou o general iraniano.

“É tanto do interesse do Irã e particularmente do interesse do Iraque escolher o caminho da ponderação. O uso de armas deve parar agora para dar espaço ao diálogo”, ressaltou. No entanto, o silêncio de von der Leyen – que não reagiu tão rápido como deveria – foi contrastado pelo pronunciamento do presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, que poucas horas após a morte de Soleimani pediu “o fim da espiral de violência, provocações e retaliações”.

As reações dos governos do bloco foram diferentes. A França e Reino Unido e a Alemanha foram diplomáticos: não toleraram o assassinato do general iraniano, mas também não condenaram os EUA. Outros governos do bloco europeu criticaram veementemente o ataque. Da Casa Branca, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, disse que “os europeus não têm sido tão úteis como desejaria que eles fossem”.

Otan é solidária a Trump

Até o momento, a Otan tem sido solidária ao presidente americano, Donald Trump. O secretário-geral da aliança militar, Jens Stoltenberg, disse que vai analisar como aumentar a atuação da Otan no Oriente Médio, após pedido de Trump. No momento, os 500 militares da organização estão comprometidos apenas com missões de treinamento das forças locais no Afeganistão e Iraque.

No início da semana, Stoltenberg convocou uma reunião de emergência na sede da organização em Bruxelas e condenou os ataques do Irã com mísseis contra as forças americanas e a coalizão internacional que luta contra o Estado Islâmico no Iraque. A Otan assegurou que não houve vítimas, já o governo de Teerã fala em 80 mortos. Ontem, em reunião no Conselho de Segurança da ONU em Nova Iorque, os dois países alegaram que os ataques foram em legítima defesa e que respeitaram as regras internacionais.

Acordo iraniano

A União Europeia pretende manter alguns canais abertos com Teerã, vide o convite para o chanceler iraniano Javar Zarif, para tentar salvar o acordo nuclear assinado em 2015, durante o governo do ex-presidente americano Barack Obama. O objetivo é impedir que o Irã construa uma bomba nuclear, que poderia modificar o já frágil equilíbrio no Oriente Médio, entre outras consequências.

Em 2018, Trump decidiu se retirar unilateralmente do acordo e impôs novas sanções ao Irã, incluindo o setor petrolífero. As novas sanções americanas provocaram uma fuga das empresas estrangeiras, que tinham regressado após o acordo, fazendo a economia iraniana entrar em uma grave recessão.

No início deste ano, Teerã anunciou que deixaria de cumprir o acordo mas continuaria cooperando com AIEA - Agência Internacional de Energia Atômica. As autoridades iranianas disseram que só voltariam a cumprir o acordo nuclear se as sanções fossem suspensas. Três potências europeias – Alemanha, França e Reino Unido - estiveram diretamente envolvidas na negociação do acordo nuclear iraniano junto com o governo de Obama.

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