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Taiwan/ONG

ONGs denunciam influência chinesa em eleições de Taiwan

A presidente de Taiwan Tsai Ing-wen e o candidato a vice-presidente do Partido Democrático Progressista (DPP) William Lai no comício de campanha na reta final antes das eleições em Taipei, Taiwan. 10/01/2020.
A presidente de Taiwan Tsai Ing-wen e o candidato a vice-presidente do Partido Democrático Progressista (DPP) William Lai no comício de campanha na reta final antes das eleições em Taipei, Taiwan. 10/01/2020. REUTERS/Tyrone Siu

Os taiwaneses vão às urnas neste sábado (11) para escolher o novo presidente do país e as organizações governamentais se preocupam com o impacto das “fake news" no resultado final das eleições. O temor é que haja uma interferência da China continental.

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Oficialmente, Taiwan, situada a 180 km no leste da China tem autonomia política e administrativa, mas sua independência nunca foi proclamada oficialmente. Os dois países estão separados desde 1949. Mas o objetivo da China é unificar o território, dando a Taiwan a autonomia política econômica e social. A tentativa de ingerência chinesa em Hong Kong, e a violência policial chinesa nas crescentes manifestações, têm preocupado os taiwaneses.

O debate em torno da soberania da ilha dominou a campanha e a propagação de "fake news" por parte da China preocupa as ONGs. Segundo a jornalista Summer Chen, da organização FactCheck Center, "a desinformação on line aumentou consideravelmente há uma semana. A quantidade de "fake news" dobrou, eu diria até mesmo que triplicou. Nossa suspeita é que esse problema venha da China”, diz Chen, entrevistada pelo jornalista da redação francesa da RFI, Stéphane Lagarde. Ela cita o exemplo de uma notícia falsa publicada nas redes que visa um responsável político em Taiwan. “O texto está escrito em cantonês, então é óbvio que se trata de um erro de um pirata digital”, explica.

Erros mais grotescos, que ocorriam com mais frequência no passado, como o uso de caracteres em mandarim simplificado, ou ainda textos que confundem Hong Kong e Taiwan, por exemplo, são cada vez mais raros. Os “trolls” chineses, garante a jornalista taiwanesa, estão mais tarimbados, e a guerra para influenciar o eleitorado é mais sutil.

Último comício

A presidente do partido independentista (DPP), Tsai In-wen, candidata à sua própria sucessão, encarna uma mensagem de resistência em relação à China. Ela realizou seu último comício nesta sexta-feira (10) e está sendo apontada como a favorita. Seu principal é rival, Han Kuo-yu, do partido de oposição Kuomintang, defende um “consenso” com Pequim e o princípio de “uma só China.”

“Taiwan é um país do qual podemos nos orgulhar muito. Temos tantas coisas para propor, mas o governo atual não faz nada para a gente”, disse uma aposentada em entrevista à RFI. Esta também é a opinião de um jovem que trabalha no setor do turismo. “Contrariamente ao que algumas pessoas acreditam, Taiwan não tem nada a ver com Hong Kong, devemos continuar taiwaneses mas não termos medo da China.” O movimento independentista, também tem seus adeptos. “Não há liberdade na China. Mesmo em Hong Kong, a polícia bate em pessoas idosas. É muito triste”, conclui uma aposentada.

Taiwan, chamada oficialmente de República da China, foi excluída da ONU, onde não tem mais um representante, desde 1971. A decisão foi tomada depois da resolução internacional 2758, adotada nesta data, que determinou que os chineses voltassem a integrar a organização.

 

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