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Irã/Ucrânia

Queda de avião ucraniano pode ter sido causada por "erro grotesco", dizem especialistas

Especialistas em aviação iranianos e ucranianos reunidos em Teerã para investigar as circunstâncias da queda do Boeing 737 ucraniano.
Especialistas em aviação iranianos e ucranianos reunidos em Teerã para investigar as circunstâncias da queda do Boeing 737 ucraniano. HO / IRAN CIVIL AVIATION ORGANIZATION (CAO) / AFP

As autoridades iranianas garantiram, nesta sexta-feira (10), que o Boeing ucraniano que caiu perto de Teerã "não foi atingido por um míssil". A declaração foi dada pelo presidente da Organização da Aviação Civil iraniana, Ali Abedzadeh, durante uma entrevista coletiva na capital iraniana.

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"As informações das caixas-pretas são cruciais" para a investigação e "qualquer declaração antes da revelação do conteúdo das caixas é pura especulação", disse Abedzadeh. O voo PS752 da companhia Ukraine Airlines International caiu na quarta-feira (8) de manhã, poucos minutos depois de decolar do aeroporto de Teerã, e deixou 176 mortos.

O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, e o do Reino Unido, Boris Johnson, afirmaram nesta quinta-feira (9) que o avião foi alvo de um míssil iraniano, que o teria atingido por acaso. Vídeos que confirmariam essa hipótese circulam desde ontem nas redes sociais. O chanceler iraniano disse que viu as imagens.

"Confirmamos que o avião pegou fogo durante 60, ou 70 segundos, mas a afirmação de que teria sido alcançado por alguma coisa não tem qualquer base científica", declarou. Os Estados Unidos afirmam que imagens obtidas via satélite mostram “manchas” de calor que são características de mísseis. Se a tese, que os iranianos negam, for confirmada, a situação entre os dois países, que chegou ao ápice da tensão depois da morte do general Qassim Suleimani, pode piorar.

Esta é a opinião do pesquisador do Centro de Estudos de Crises e Conflitos Internacionais Vincent Eiffling, da Universidade de Louvain, na Bélgica, em entrevista à RFI. “Não podemos nos esquecer que a maioria das vítimas do acidente é iraniana, mas é totalmente possível que ele tenha sido atingido por um míssil terra-ar de maneira não-intencional. O que é preciso é investigar os militares em terra, responsáveis pela bateria de mísseis”, ressalta. “Isso é que precisa ser analisado.” Ele lembra que o Irã deve se recusar a entregar as caixas-pretas para os EUA para análise, mas pode aceitar a consultoria da França, da Alemanha, e Ucrânia na investigação do acidente.

O especialista também explica que os mísseis terra-ar, caso haja comprovação dessa hipótese, são totalmente diferentes dos balísticos, usados pelo Irã para atacar as bases americanas. O hipotético incidente, diz, pode ser simplesmente fruto da incompetência dos iranianos. “Os militares iranianos estão sob pressão diante da tensão crescente com os Estados Unidos. Mas a partir do momento que a Psicologia é afetada, a capacidade de avaliação e reação diante de situações tensas como essa pode ser alterada e gerar acidentes. De qualquer maneira parece um erro grotesco”, conclui.

Para o especialista em segurança internacional francês Benjamin Hautecouverture, “tudo pode ser imaginado” neste acidente. “As autoridades ucranianas estão analisando sete teses. Mas é preciso prudência e ver o que será confirmado pela investigação judiciária e balística, se possível, independente”, diz.

BEA envia representante à Ucrânia

O BEA, a agência de aviação francesa que investiga acidente aéreos, enviará um representante ao Irã para ajudar na investigação, assim como a National Transportation Safety Board (NTSB), agência encarregada da segurança dos transportes nos Estados Unidos. "A NTSB designou um representante oficial para a investigação do acidente", disse a agência que investiga os acidentes do transporte.

A agência "continua monitorando a situação em torno do acidente e avalia seu nível de participação na investigação", que será liderada pelo Irã, acrescenta o comunicado publicado no Twitter. "Não faremos qualquer especulação sobre as causas" do desastre aéreo, conclui a NTSB. As conclusões sobre as causas do acidente podem demorar dois anos para serem divulgadas.

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