Acessar o conteúdo principal
Taiwan/Eleição presidencial

Apesar de pressão da China, presidente pró-independência é reeleita em Taiwan

Presidente de Taiwan foi reeleita neste sábado, 11 de janeiro de 2020, para um segundo mandato.
Presidente de Taiwan foi reeleita neste sábado, 11 de janeiro de 2020, para um segundo mandato. © REUTERS/Tyrone Siu

A presidente Tsai Ing Wen, que disputava um segundo mandato em Taiwan, foi reeleita neste sábado (11). A eleição presidencial, na ilha reivindicada pela China, aconteceu em clima de tensão com Pequim.

Publicidade

"Taïwan mostrou ao mundo como ama seu estilo de vida livre e democrático, assim como sua nação », declatou Tsai Ing Wen ao anunciar sua vitória à imprensa. “A China tem que abandonar suas ameaças”, completou.

Cerca de 19 milhões de eleitores participam da votação. A atual presidente, de 63, que defende a independência da ilha, liderou as pesquisas de opinião ao longo de toda a campanha.

Seu principal adversario Han Kuo Yu era favorável a uma aproximação com Pequim. Ele aceitou a derrota e ligou para Tsai para parabenizá-la.

Segundo a imprensa, a presidente obteve 57,7% dos votos e Han Kuo-yu, 56,7%, depois da apuração de 10 milhões de votos. Sua vitória será crucial para o futuro das relações com a China, principal parceiro comercial da ilha de 23 milhões de habitantes.

Desde a eleição de Tsai, há quatro anos pelo Partido Progressista Democrático (PDP), a China adotou uma posição mais dura em relação a Taiwan e rompeu todas as comunicações oficiais com o governo de Taipé, além de intensificar as pressões econômicas e os exercícios militares. A ilha, que tem sua própria moeda, bandeira, exército, diplomacia e governo, está de fato separada politicamente da China há 70 anos. Tsai se distanciou do autoritarismo chinês e disse, durante a campanha, que sua vitória iria reforçar a "democracia de Taiwan".

Campanha sexista

Apesar de ter a reputação de ser uma das democracias mais progressistas da Ásia, onde há muito mais deputadas do que em outros países vizinhos, a campanha presidencial em Taiwan foi marcada por misoginia e insultos sexistas. As mulheres políticas da ilha foram alvo de insultos pessoais e comentários machistas, especialmente relacionados à sua aparência.

Os insultos não pouparam a presidente Tsai Ing Wen. Ela foi atacada repetidamente por não ter marido ou filhos, assim como nas campanhas anteriores. O presidente do Kumintang (KMT, oposição), Wu Den Yih, recentemente usou um gíria para descrever Tsai como "mulher infeliz", que havia levado a desgraça ao seu povo.

Por sua parte, o candidato presidencial do KMT, Han Kuo Yu, de 62 anos, fez referência a dois personagens famosos de um antigo romance erótico chinês comparando-os com Tsai e sua lista de companheiros. O candidato à vice-presidência da oposição, Chang San Cheng afirmou que a presidente não conseguia entender os país porque era "uma mulher que nunca havia dado à luz".

Tsai lamentou no Facebook uma "cultura política inaceitável". "Não permitiremos ataques pessoais contra mulheres", enfatizou.

Primeira presidente de Taiwan

Tsai, professora de direito, ex-assessora do governo em questões de comércio internacional, tornou-se a primeira mulher a ocupar a presidência em 2016. Ela é uma das poucas mulheres com poder na Ásia que não provém de uma poderosa dinastia política.

Apesar dos ataques sexistas, Taiwan pode parecer um exemplo de luta pela igualdade de gênero na política. Em 2016 os eleitores também colocaram no Parlamento cerca de 38% de mulheres, proporção muito maior do que em qualquer outra democracia na Ásia.

A imagem progressista do país foi reforçada quando a ilha se tornou em 2019 o primeiro território asiático a legalizar o casamento homoafetivo.

(Com informações da AFP)

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.