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Irã/Ucrânia

Irã reconhece finalmente que derrubou avião ucraniano “por engano”

Local da queda do Boeing 737-800 da Ukrainian Airlines, nas proximidades de Teerã na quarta-feira, 8 de janeiro de 2020.
Local da queda do Boeing 737-800 da Ukrainian Airlines, nas proximidades de Teerã na quarta-feira, 8 de janeiro de 2020. Social media video via REUTERS

O Estado-Maior das Forças Armadas iranianas admitiu finalmente neste sábado (11) que o Boeing 737 da Ukrainian Airlines foi abatido por um míssil por engano. Segundo Teerã, a catástrofe foi provocada por um "erro humano", mas sua origem foi o "aventureirismo" dos Estados Unidos. O Irã pediu desculpas pelo incidente. O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky exigiu a punição dos culpados e indenizações iranianas pela tragédia.

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A tragédia matou todas as 176 pessoas que estavam a bordo. A maioria das vítimas era iraniano-canadense, mas também havia britânicos, suecos e ucranianos no avião.

O Boeing teria sido identificado como “avião hostil”, poucas horas depois do ataque iraniano contra duas bases americanas no Iraque, na última quarta-feira (8), em represália à morte do general Soleimani. O avião foi “atingido” no momento em que a ameaça inimiga se encontrava "no mais alto nível", revelou um comunicado divulgado pela agência oficial de notícias Irna.

O presidente iraniano, Hassan Rohani, declarou que seu país "lamenta profundamente" o incidente, que chamou de "grande tragédia" e "erro imperdoável".

O ministro das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif, apresentou as desculpas do Irã pela catástrofe. "É um dia triste", escreveu Zarif no Twitter, citando um "erro humano em tempos de crise causada pelo aventureirismo dos americanos. Nosso profundo arrependimento, desculpas e condolências ao nosso povo, às famílias de todas as vítimas e às outras nações afetadas".

Culpados

O Estado-Maior iraniano garantiu à população que o "responsável" pela tragédia será levado "imediatamente" à Corte Marcial e que o fato não se repetirá. "Garantimos que, com as reformas fundamentais nos processos operacionais das Forças Armadas, tornaremos impossível a repetição de erro semelhante".

O voo PS752 da companhia Ukrainian Airlines International (UAI) caiu dois minutos depois de decolar do Aeroporto de Teerã rumo a Kiev. Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Holanda já haviam antecipado que a queda era resultado de um míssil iraniano, e vídeos neste sentido foram publicados nas redes sociais.

Em uma mensagem no Facebook neste sábado, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky disse esperar que o Irã “julgue os culpados, pague indenizações e devolva os corpos das vítimas”. Zelensky escreveu ainda que que os 45 especialistas ucranianos devem ter acesso total a investigação, que deve ser conduzida rapidamente.

Tragédia anunciada

Os incidentes envolvendo mísseis e aviões comerciais sobre áreas de conflito não são raros. Em 17 de julho de 2014, o voo MH17 da Malaysia Airlines que seguia de Amsterdã para Kuala Lumpur foi abatido quando sobrevoava o leste da Ucrânia, controlado por rebeldes. A catástrofe matou as 298 pessoas a bordo do Boeing 777, entre elas, 193 holandeses. As autoridades de Kiev e os rebeldes separatistas pró-Rússia se acusaram mutuamente do disparo do míssil que derrubou o aparelho.

Em julho de 1988, um Airbus A-300 da Iran Air, que voava de Bandar Abbas, no Irã, para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, foi derrubado nas águas territoriais do Irã no Golfo Pérsico por mísseis disparados de uma fragata americana que patrulhava o Estreito de Ormuz. As 290 pessoas a bordo morreram e os Estados Unidos pagaram ao Irã 101,8 milhões de dólares em indenização.

(Com informações da AFP)

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