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Líbia/ Rússia

Rússia disputa com Turquia protagonismo pelo fim da guerra na Líbia

O general Khalifa Haftar e o ministro da Defesa russo Sergei Shoigu, antes de uma reunião em Moscou, em 13 de janeiro de 2020.
O general Khalifa Haftar e o ministro da Defesa russo Sergei Shoigu, antes de uma reunião em Moscou, em 13 de janeiro de 2020. Reuters

Fayez el-Sarraj, chefe do governo de união baseado em Trípoli, e o marechal Khalifa Haftar, o homem forte do leste da Líbia, estão reunidos na capital russa para conversas muito esperadas. Os dois rivais do conflito líbio devem confirmar nesta segunda-feira (13) em Moscou o cessar-fogo decidido neste fim de semana.

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Daniel Vallot, correspondente da RFI em Moscou

Moscou não poupou esforços para atrair os dois principais atores do conflito na Líbia. Para isso, aliou-se a Recep Tayyip Erdogan, da Turquia, que recentemente entrou no conflito anunciando o envio de tropas para Trípoli. Por sua vez, Moscou apoiou o marechal Haftar, mantendo contatos com o governo líbio. Se este cessar-fogo for oficialmente confirmado nas próximas horas, sem dúvida constituirá um sucesso diplomático retumbante para Moscou e Ancara.

Segundo a televisão pública russa, começaram as conversações entre os dois protagonistas líbios sob a mediação da Rússia, mas também da Turquia. Para se preparar para esse grande encontro, os ministros da Defesa e Relações Exteriores dos dois países se reuniram nesta manhã em Moscou.

Segundo a porta-voz da diplomacia russa, Maria Zakharova, seus interlocutores líbios se juntariam a eles durante o dia com o objetivo de concluir formalmente um cessar-fogo que deveria ratificar a trégua aceita oralmente no domingo (12).

Rumo ao sucesso diplomático?

A imprensa russa fez um paralelo nesta manhã entre esses esforços russo-turcos e o conflito sírio, com o processo Astana. É verdade que, na Síria, Moscou e Ancara escolheram apoiar dois campos opostos no campo de batalha. Isso não os impede visivelmente de se entenderem hoje na mesa de negociações sobre a situação líbia.

Antes de partir para Moscou, Fayez al-Sarraj, o primeiro-ministro do governo de Trípoli, enviou uma mensagem aos líbios. Ele denunciou as ambições militares de seu rival do Oriente, o marechal Khalifa Haftar e explicou sua decisão de aceitar a trégua.

Erdogan e Conte pedem cessar-fogo permanente

Os líderes turcos Recep Tayyip Erdogan e o italiano Giuseppe Conte pediram nesta segunda-feira (13) um cessar-fogo "duradouro" na Líbia, após se reunirem em Ancara.

"Estamos fazendo esforços para torná-lo sustentável", disse Erdogan durante uma entrevista coletiva em Ancara com Conte.

O cessar-fogo em vigor desde domingo foi posto em prática por iniciativa da Turquia, que apoia o governo de Trípoli liderado por Fayez al-Sarraj, e da Rússia, que é suspeita de apoiar Khalifa Haftar com armas, dinheiro e mercenários.

Prelúdio

Essa trégua deve servir de prelúdio para uma conferência internacional sobre a Líbia em Berlim, organizada com o apoio da ONU, prevista para 19 de janeiro.

"De acordo com as informações que me chegaram, as discussões estão indo em uma direção positiva", acrescentou Erdogan na coletiva de imprensa, sobre a reunião em Moscou.

"O cessar-fogo corre o risco de se tornar uma medida precária se não fizer parte de um esforço coletivo mais amplo da comunidade internacional para garantir a unidade, estabilidade e soberania da Líbia", por sua vez, avisou o Conte.

A Itália se considera um ator importante diante da situação na Líbia por causa de seus vínculos históricos com este país como uma antiga potência colonial. Ela é cautelosa com o crescente papel desempenhado pela Rússia e pela Turquia.

(Com informações da AFP)

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