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Rússia

Michustin promete implementar fielmente o programa de Putin

O novo primeiro-ministro da Rússia, Mikhail Michustin.
O novo primeiro-ministro da Rússia, Mikhail Michustin. REUTERS/Sergei Karpukhin/File Photo

Os deputados russos confirmaram Mikhail Michustin no cargo de primeiro-ministro da Rússia, nesta quinta-feira (16), um dia depois do anúncio surpresa por parte do presidente Vladimir Putin "para impulsionar mudanças no país".

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"A decisão está tomada", disse o presidente da Câmara Baixa do Parlamento, Viatcheslav Volodin, após a aprovação de Michustin por 383 votos a favor, nenhum contra e 41 abstenções.

Em um discurso de dez minutos, Michustin disse que era necessário "estimular o crescimento dos investimentos e recuperar a confiança entre as autoridades e as empresas" para reativar a economia russa. "Como o presidente enfatizou várias vezes, as pessoas já deveriam estar sentindo melhorias reais", acrescentou. "Mas não estão", lamentou.

Michustin, ex-chefe do órgão correspondente à Receita Federal, prometeu implementar fielmente o programa de Putin, que governa a Rússia há 20 anos. No estado atual da legislação, Putin não tem o direito de se candidatar à reeleição em 2024.

Michustin passou a manhã se encontrando com líderes de vários grupos parlamentares na Duma, o Parlamento russo. Sua nomeação deve facilitar a reorganização institucional que Putin pretende fazer para manter sua influência nas próximas décadas.

O presidente optou por substituir seu leal primeiro-ministro Dmitri Medvedev, um personagem sombrio, por Michustin, desconhecido do público em geral. Dizendo estar aberto "a críticas construtivas", o futuro chefe de governo orientou seu discurso sobre a economia e o social, garantindo que sua prioridade é "aumentar os salários reais". Ele também espera "reencontrar a confiança do meio empresarial e financeiro, e estimular o crescimento dos investimentos".

Hóquei no gelo

Michustin, um moscovita de 53 anos, fez uma longa carreira como funcionário público. Ele atuou em várias agências governamentais antes de se tornar chefe de um fundo de investimento e, em 2010, do departamento tributário, que ele transformou em profundidade. Fã de hóquei no gelo, defende a modernização e a digitalização da Rússia.

Sua nomeação ocorreu após a renúncia inesperada do governo, na sequência do discurso no qual Putin anunciou uma reforma da Constituição que deverá conceder mais poderes ao Parlamento, preservando o caráter presidencial do sistema que ele lidera há duas décadas.

A principal reforma à vista prevê que os deputados obterão a prerrogativa de designar o primeiro-ministro, em vez de confirmá-lo como é o caso agora. Segundo a chefe da Câmara Alta do Parlamento, Valentina Matvienko, as emendas constitucionais poderão ser apresentadas ainda no primeiro semestre deste ano, antes de serem submetidas à votação dos russos.

O grupo de trabalho responsável por preparar as mudanças se reuniu nesta quinta-feira, sob a liderança do chefe de Estado. Entre as 70 personalidades que o compõem, está a estrela do salto com vara Elena Isinbayeva. Putin explicou que as mudanças futuras devem "garantir o desenvolvimento do Estado de Direito" e "fortalecer a sociedade civil".

Manobra para manter influência

Os anúncios de quarta-feira são interpretados por analistas e opositores como prova de que o presidente está se preparando para o pós-2024, enquanto tem se esquivado de falar sobre suas intenções. A saída de Medvedev, que se tornou impopular, ocorre quando o Kremlin também enfrentou há alguns meses o maior movimento de protesto desde o retorno de Putin à Presidência, em 2012.

Medvedev foi agraciado com o cargo de vice-presidente do Conselho de Segurança, já presidido por Putin. Em seu projeto de reforma constitucional, o presidente evocou a importância de um Conselho de Estado, onde ele poderia centralizar sua influência no futuro. Suas propostas também visam a fortalecer os governos regionais, proibir membros do governo e juízes de obterem uma autorização de residência no exterior e exigir que qualquer candidato à eleição presidencial tenha vivido nos últimos 25 anos na Rússia. O chefe de Estado manterá o direito de demitir qualquer membro do governo e nomeará os chefes de todas as estruturas de segurança.

No discurso feito ontem, Putin exaltou o desempenho da Rússia no setor de armamentos, dizendo que o país não busca concorrer com o restante das potências militares, e sim lidera a corrida.

Depois de reconquistar posições no tabuleiro geopolítico internacional, Putin também está preocupado com a proteção de seus interesses privados depois que deixar a presidência.

A Rússia é acusada por ONGs e pelo Ocidente de violar os direitos humanos e os princípios do Estado de Direito.

* Com informações da AFP

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