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Reformas/Rússia

Rússia: Putin prepara caminho para continuar próximo ao poder após fim de mandato, diz especialista

O presidente Vladimir Putin durante reunião com membros do Conselho de Segurança, em Moscou.
O presidente Vladimir Putin durante reunião com membros do Conselho de Segurança, em Moscou. Sputnik/Aleksey Nikolskyi/Kremlin/Reuters

Ao propor uma revisão ampla da Constituição e nomear um novo primeiro-ministro, cujo nome foi aprovado pelo parlamento russo nessa quinta-feira (16), Vladimir Putin reaviva especulações sobre o seu futuro político após 2024, quando deixará a presidência. Para observadores ouvidos pela RFI, a manobra visa a pavimentar sua permanência no seio da política nacional.  

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Em seu discurso anual ao parlamento na quarta-feira (15), o chefe de Estado propôs uma série de alterações à Constituição e, após o anúncio surpresa da renúncia do governo de Dmitri Medvedev, Vladimir Putin se apressou em nomear um novo premiê.

O escolhido para o cargo é uma figura considerada sombria no cenário político da Rússia: Mikhaïl Michoustin, 53 anos, chefe da Receita Federal. Este moscovita seguiu uma longa carreira como funcionário público em várias agências governamentais antes de se tornar chefe de um fundo de investimento e depois, em 2010, assumir o departamento tributário, que ele transformou profundamente.

Parlamento aprova novo premiê

O nome de Michoustin foi aprovado sem surpresas pelos representantes da Duma, a Câmara dos deputados da Rússia. Foram 383 votos a seu favor, 41 abstenções e nenhum contra. Um resultado já esperado, uma vez que o parlamento é controlado pelos aliados de Putin.

"É necessário estimular os investimentos e recuperar a confiança entre as autoridades e as empresas" para reativar a economia russa, declarou Michoustin, pouco antes da votação. Já em seu primeiro discurso oficial, o novo primeiro-ministro prometeu "mudança real para melhor".

Unanimidade no parlamento, mas não nas ruas

O nome do novo premiê é desconhecido da opinião pública e foi recebido com desconfiança pela população. "Para mim ele não encarna nada, pelo menos do lado de Putin! Ele não tem nada de particular ou especial”, disse um cidadão russo ao correspondente da RFI em Moscou, Daniel Vaillot.

Formado em Engenharia no final dos anos 1980, o ex-chefe da Receita assume no lugar de Dimitri Medvedev, que esteve no posto por quase oito anos e viu sua popularidade cair recentemente.

"Eu não gosto de Medvedev. Na minha opinião, ele não fazia nada para que as coisas melhorassem, nunca sancionava aqueles que tomavam as más decisões," disse outro cidadão à reportagem da RFI.

Contudo, Medvedev não será descartado. Pelo contrário, o aliado de Putin deverá ocupar um papel-chave para o futuro político do atual presidente. A expectativa é que ele seja nomeado como o número dois do Conselho de Segurança da Rússia, um órgão presidido por Vladimir Putin.

Os anúncios de quarta-feira têm sido interpretados por analistas como indícios de que o presidente está se preparando para o período depois de deixar o cargo, já que, até agora, Putin sempre se esquivou de falar sobre suas intenções e nunca havia mencionado o nome de um possível sucessor.

“Já faz tempo que o Conselho de Segurança é citado como possível nicho institucional que poderia eventualmente permitir a Vladimir Putin se manter perto do topo do poder ao deixar a presidência em 2024”, explica a pesquisadora Clémentine Fauconnier. “É muito interessante observar que Dmitri Medvedev, um homem próximo de Putin, do alto escalão da política russa, seja nomeado justamente nessa instituição”, completa a doutora em ciência política da Universidade Sciences Po, de Paris.

“Seja qual for a pessoa que substitua Vladimir Putin na presidência em 2024, o lugar a ser ocupado por Dmitri Medvedev continuará importante na arquitetura política russa”, conclui a especialista. 

Esta, portanto, poderia ser mais uma manobra do chefe de Estado russo para continuar no poder - em teoria ele deixa o cargo em 2024, quando haverá novas eleições, mas não pode disputar o pleito. Putin está no poder há 20 anos: foi presidente entre 2000 e 2008 e primeiro-ministro entre 2008 e 2012 e voltou a ser chefe de Estado desde então.

Reformas à vista

Através da principal reforma à vista, os deputados obterão a prerrogativa de designar o primeiro-ministro, em vez de apenas confirmá-lo no cargo, como acontece hoje. Outras mudanças propostas por Putin visam fortalecer governadores regionais, proibir membros do governo e juízes de obter uma autorização de residência no exterior e exigir que qualquer candidato à eleição presidencial tenha vivido na Rússia nos últimos 25 anos.

 

 

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