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Oxfam/relatório

Sistema “sexista que valoriza elite” reforça desigualdades, diz Oxfam em novo relatório

Investir em crescimento é menos eficaz do que o combate à desigualdade para diminuir a pobreza, defende a Oxfam
Investir em crescimento é menos eficaz do que o combate à desigualdade para diminuir a pobreza, defende a Oxfam AFP/Sergio Lima

Em 2019, os 2.153 bilionários do mundo tinham mais dinheiro do que 60% da população do planeta, denuncia a ONG Oxfam em um relatório publicado nesta segunda-feira (20). A organização destaca a concentração da riqueza em detrimento, sobretudo, das mulheres, que são primeiras vítimas da desigualdade.

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"Este enorme abismo é consequência de um sistema econômico falido e sexista, que valoriza mais a riqueza de uma elite privilegiada, em sua maioria, homens", segundo a ONG. O informe anual da Oxfam sobre as desigualdades mundiais é tradicionalmente publicado antes da abertura do Fórum Econômico Mundial (WEF) de Davos, na Suíça, ponto de encontro da elite política e econômica global.

"As mulheres estão na primeira fila das desigualdades devido a um sistema econômico que as discrimina e as aprisiona nos ofícios mais precários e menos remunerados, a começar pelo setor de cuidados", afirma Pauline Leclère, porta-voz da Oxfam France, citada em um comunicado. A Oxfam estima que o valor monetário do trabalho de cuidados não remunerado das mulheres com mais de 15 anos em US$ 10,8 trilhões por ano.

Em entrevista à RFI, Quentin Parrinello, responsável pelo setor Justiça Fiscal e Desigualdade da organização, diz que o nível de desigualdade continua sendo “indecente" e aumenta a longo prazo. O crescimento da fortuna dos bilionários desde o ano 2000, de 16,5% por ano. “O Banco Mundial estima que quase metade da população mundial vive com menos de US$ 5,5 por dia, com um nível de renda que não é suficiente para enfrentar a crise alimentar, de saúde”, diz. Para enfrentar essa situação, é preciso “atacar as desigualdades para diminuir a pobreza”. Segundo Parrinello, isso é mais eficaz do que investir no crescimento econômico.

Modelo fiscal progressivo

O ano de 2019 também foi marcado por movimentos de protestos em todo o mundo, do Chile ao Oriente Médio, passando pela França. "Os governos de todo o mundo devem tomar medidas urgentes para construir uma economia mais humana e feminista, que valorize o que realmente importa para a sociedade", aponta a Oxfam, que propõe entre outras medidas a implantação de "um modelo fiscal progressivo no qual também se taxe a riqueza".

Segundo cifras da ONG, com base em dados publicados pela revista Forbes e o banco Crédit Suisse - mas cuja metodologia foi criticada por alguns economistas -, 2.153 pessoas têm mais dinheiro do que os 4,6 bilhões de pessoas mais pobres do planeta. Por outro lado, a fortuna do 1% mais rico do mundo corresponde a mais que o dobro da riqueza acumulada dos 6,9 bilhões de pessoas menos ricas, ou seja, 92% da população do planeta.

(Com informações da RFI e da AFP)

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