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China/ Novo vírus

Novo vírus coloca comunidade científica em alerta, diz diretor de pesquisas do Instituto Pasteur

Uma mulher de máscara passa por um aviso de quarentena sobre o surto de coronavírus em Wuhan, China, no saguão de chegada do aeroporto de Haneda em Tóquio, Japão, em 20 de janeiro de 2020.
Uma mulher de máscara passa por um aviso de quarentena sobre o surto de coronavírus em Wuhan, China, no saguão de chegada do aeroporto de Haneda em Tóquio, Japão, em 20 de janeiro de 2020. REUTERS/Kim Kyung-Hoon

O novo coronavírus – por enquanto denominado 2019-nCoV - já matou seis pessoas na China, e quase 300 casos já foram detectados desde sua aparição, há algumas semanas. O vírus já chegou ao Japão, à Coréia do Sul, à Tailândia e a Taiwan.

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Nesta terça-feira (21), na véspera da reunião de emergência convocada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para discutir o fenômeno, o médico e professor Bruno Hoen, diretor de pesquisas médicas do Instituto Pasteur, em Paris, e membro da Comissão especilizada em doenças infecciosas e doenças emergentes falou à RFI sobre o novo vírus.

Hoen disse que o vírus pertence à mesma família do SARS, que matou cerca de 800 pessoas entre 2002 e 2003. “Eles são próximos, na medida em que ambos pertencem à mesma família. Este novo coronavírus identificado em Wuhan é geneticamente parecido com o SARS, mas não é idêntico. Ele é bem próximo de um vírus identificado regularmente nos morcegos, então, como o SARS, é um vírus de origem animal que passou ao homem e está na origem desta infecção recentemente identificada na China”, diz o médico.

O cientista conta que, para identificar este novo vírus, foram utilizadas técnicas de biologia molecular e sequenciamento genético.

“Mais do que por exames sanguíneos, ele é identificado por exames respiratórios. Os testes diagnósticos para procurar os micro-organismos responsáveis por essa pneumonia deram negativos, então os médicos partiram para a pesquisa de um agente infeccioso desconhecido, provavelmente viral. São técnicas de biologia molecular, de sequenciamento, que permitiram identificar uma sequência de um vírus que nunca tinha sido identificado no homem”, explica.

Segundo o diretor de pesquisas médicas, o vírus tampouco havia sido detectado em morcegos. “A sequência é próxima da de um vírus que já tinha sido identificado no morcego, mas não é o mesmo”, avisa.

Contaminação por contato humano

De acordo com o professor, o ponto comum de todos os primeiros casos é que eles frequentaram um mercado na cidade de Wuhan, que é chamado de mercado de peixe, mas há outros animais vivos e mortos vendidos lá.

“Num primeiro momento, a gente prensava que precisava ter tido contato com este ambiente para haver contaminação. Faz apenas 24 ou 48 horas que temos a confirmação de que há uma transmissão possível por contato humano, de homem a homem, pelas secreções respiratórias, partículas de saliva”, alerta.

O médico lembra que, diferentemente do SARS, há quase 18 anos, a comunicação foi feita rapidamente neste caso. “Houve muito pouco espaço de tempo entre a identificação do fenômeno epidêmico, no final de dezembro de 2019, e a identificação do vírus, que foi em 10 de janeiro de 2020. Entre os dois, houve a comunicação do fenômeno à OMS, tudo foi feito rapidamente”, afirma.

Sobre o fato de a OMS ter convocado uma reunião de urgência, dispositivo reservado para as epidemias mais graves, o médico explica: “A gente se baseia nos números disponíveis, quantos casos e em qual rapidez aparecem, e olha a porcentagem de formas graves e de mortes. Nós temos seis mortes confirmadas e vemos de acordo com os casos observados. Já identificamos mais de 200 casos e provavelmente há mais. Fora que os casos identificados por uma hospitalização são apenas a ponta do iceberg, porque existem provavelmente formas pouco ou mesmo não sintomáticas do vírus”, avisa.

Próximos passos

Identificar o novo vírus, segundo Hoen, é apenas o começo. Ainda faltam questões importantes a serem respondidas.

“Agora precisamos saber a partir de quando a contaminação é possível, se precisa da forma sintomática ou muito sintomática para ocorrer a contaminação ou se a transmissão pode ser feita também entre aqueles que apresentam as formas pouco ou nada sintomáticas. Precisamos responder a todas estas questões rapidamente. Ainda mais que, na China, atualmente, há uma grande movimentação de pessoas em função das festividades do Ano Novo Chinês”, adverte.

De acordo com o médico, este vírus assusta a comunidade científica porque é novo e pode, potencialmente, fazer muito mais estrago que a gripe, que mata 10 mil pessoas por ano na França.

“A razão pela qual temos de ter uma vigilância, uma atenção especial com este novo vírus é que ele tocará as pessoas ‘imunologicamente virgens’, quer dizer, não protegidas”, explica o médico.

“Da gripe comum, a gente pode se proteger, seja pela contaminação natural, seja pela vacinação. Este vírus nunca atingiu a espécie humana e deve constituir um risco de produzir infecções mais graves”, conclui.

Vários países asiáticos e os Estados Unidos implementaram controles de aeroportos para passageiros da cidade chinesa de Wuhan, que tem 11 milhões de habitantes, o epicentro da epidemia.

 

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